domingo, 13 de agosto de 2017

O Perfume: A história de um assassino (Patrick Suskind)


A história situa-se no século XVIII, em Paris, depois em Auvergne, em Montpellier, em Grasse e finalmente retorna a Paris... ... 

Paris, século XVIII. Multidões de pessoas famintas perambulam pelas ruas. Frio e fome, medo, desilusão e dor, em meio ao desespero de personagens que não vivem plenamente, apenas sobrevive o momento do agora, mesmo porque o amanhã em termos de futuro não existe na imaginação daqueles seres errantes que vê sua condição humana como desígnios divinos, portanto, inquestionáveis. Fétida, a cidade proporciona um caldo de diversificados sons, cores e, principalmente, cheiros, os mais diversos cheiros. O ambiente é pesado, distante, quase surreal. A cidade respira o ar poluído pela decadência do espaço, mas também e, principalmente, pela presença de um ser humano pobre demais, tanto material quanto espiritualmente. 

É nesse ambiente que nasce Jean-Baptiste Grenouille. O protagonista, Jean-Baptiste Grenouille veio ao mundo em meio à tripas de peixes atrás de uma banca de feira onde a mãe (algumas semanas depois executada por infanticídios) vendia seus peixes. Tão logo depois ele foi abandonado pela mãe que no desespero da própria sobrevivência via no filho um estorvo, peso que jamais conseguiria carregar. Criado como pária, vive seus primeiros anos imerso no silêncio premeditório que só os grandes gênios podem usufruir. 

O garoto cresceu e, com o tempo, foi se destacando das outras crianças da classe proletária da França por causa de sua inusitada e espetacular capacidade olfativa. Ele é, inclusive, visto com estranheza e temor pelas outras crianças de sua idade. Grenouille consegue sentir odores a grandes distâncias, e ainda tem a capacidade de sentir o cheiro de coisas que para as pessoas normais não têm cheiro, como pedras. Desde a adolescência, Grenouille tem o desejo de guardar para si todos os tipo de fragrâncias e conhecer odores novos. É nessa balada que ao conhecer uma garota na rua e se apaixonar pelo seu cheiro Jean-Baptiste se aproxima dela. Em pouco tempo a garota é morta por sufocamento.

Inconformado por não conseguir guardar o aroma dessa mulher, Grenouille fica obcecado para aprender técnicas para guardar os odores. E isso se torna possível quando conhece Giuseppe Baldini, um perfumista quase falido que vê seus negócios decolarem após a chegada do jovem e seu imensurável talento. Antes Grenouille trabalhava como aprendiz de curtidor de peles e posteriormente como aprendiz de perfumista, onde aprendeu as questões técnicas na criação de um perfume. Sempre atento aos ensinamentos (Oportunistas, é claro) de Baldini, ele aprende que todos os odores podem ser capturados e preservados, embora seus métodos não sejam os melhores. A descoberta faz com que Grenouille se mude para a cidade de Grasse, onde aprende a técnica mais eficiente. Daí acontecem outras matanças de mulheres. 

Baldini dizia que o perfume de uma pessoa é como se fosse sua alma, o que nos dá a entender que, ao preservar o perfume, ele estaria roubando a alma da pessoa. Jean-Baptiste parece saber exatamente como roubar a alma de uma pessoa, o que é provado pelo fato de as pessoas ligadas a ele morrerem quase sempre. 

Grenouille não percebia à si mesmo como um ser com uma identidade própria como todas as pessoas, e não conseguia identificar seu próprio cheiro. 

Obstinado, procura preencher essa lacuna buscando a síntese perfeita do aroma dos seres humanos absolutamente ideais em termos de pureza e docilidade, traduzida na candura da palavra amor. O aroma essencial, ou a essência de todos os aromas é a busca de Grenouille. Não há limite nessa busca, na medida em que para Grenouille, o viver está diretamente relacionado à essa conquista. Muitas tentativas são feitas! 

Grenouille persegue um ideal mais forte do que a razão. Ele decanta, destila e imagina, num sonho etílico e surreal, como seria ter o domínio do aroma da felicidade e do amor, da paz e da alegria, da pureza e da beleza, para que de posse dessa essência tivesse o controle não só das pessoas, mas de si próprio mesmo. Para conseguir o seu intento tudo seria válido, mas o destino reescrito tantas vezes mais uma vez tomava seu rumo e o trancafia nas masmorras imundas dos porões da cidade das flores e das essências. 

E continuam os assassinatos de mulheres lindas e donzelas, sempre deixando-as com os cabelos cortados... 

Havia um homem, Antoine Richis, vice-cônsul, viúvo e tinha uma filha chmada Laure. Ela era de uma beleza exuberante. Como todas as moças que eram assassinadas eram bonitas e donzelas, Richies protegia sua filha o máximo que podia, até fugindo as escondidas com ela com medo que o assassino a encontrasse. Porém um dia, mesmo escondido em outra localidade, um dia Laure aparece morta na cama e com os cabelos cortados. Antoine Richis sofreu muito a perda de sua linda e amada filha. 

Com isso, por causa de tantos assassinados chegaram a Grenouille. A sociedade que o acolheu agora o quer exposto na praça, com a carne à mostra e seu sangue a jorrar, molhando as pedras lisas, combinação perfeita de um mosaico da grande praça central. 

Mas no palco diante da multidão Grenouille assustado resolve usar do seu perfume. A essência das essências contamina o ar e o público que se perde no frescor daquele aroma. O aroma do perfume faz com que o público se entregue deixando seus corpos nus e contaminados pelo amor dos toques dos corpos. As pessoas conseguem através do perfume serem quem realmente são; conseguem acessar os seus desejos mais primitivos, mas nada sensual ou depravante! 

Então aparece o vice-consul, Antoine Riches e apertando a mão de Grenouille diz à ele que a magistratura anulou a condenação. As testemunhas retiraram o que haviam dito. 

Assim houve um conselho numa assembléia com o vice-cônsul e os cavalheiros. Daí resolveu-se que mandasse arrancar sem demora a tribuna e o cadafalso da praça. 

Com isso foi aberto um novo processo contra um outro desconhecido que assassinou as 25 donzelas da região de Grasse. Abriram novas investigações e o verdadeiro assassino foi encontrado: Dominique Druot, em cuja cabana havia sido encontradas as roupas e os cabelos de todas as vítimas. Este foi torturado e enforcado. 

Mas Grenouille ainda não estava feliz. O seu perfume tinha o poder de escravizar toda a humanidade, até mesmo o Papa, mas Grenouille vai em busca do seu “EU” interior. O perfume dava à ele o poder para tudo, exceto o de amar e ser amado! 

Grenouille percebeu então que o vazio que ele sentia estava dentro dele mesmo e que mesmo conseguindo conquistar tudo o que quisesse com o perfume, ele ainda continuava infeliz! 

Angustiado, Grenouille retorna a sua cidade natal, o lugar onde nasceu, na podridão, em Paris, após fugir de sua execução pelos assassinatos na cidade de Grasse, onde resolve acabar com si mesmo: Grenouille derrama todo o vidro de perfume sobre sua sua cabeça, o qual escorre pelo seu corpo todo. E todas as mulheres, prostitutas, homens, pessoas, vieram para cima de Grenouille, inspiradas pelo perfume único, diferente, com poder total! 


Então Grenouille é devorado pelas pessoas que o amaram através do perfume! 

A ação divide-se entre o mundo dos perfumes, traduzido pelo título "O Perfume", que servem para encobrir o mundo dos fedores, dos crimes e da hipocrisia que caracterizam a cidade de Paris no século XVIII. 

Grenouille possui duas características excepcionais:

• Ele não possui odor próprio, o que permite que ele passe totalmente despercebido aos outros, pois segundo o autor "o odor é a essência, e o que não tem essência não existe". Durante a história, essa ausência de cheiro, da qual ele se dá conta quando adulto, será compensada pela criação de perfumes que Grenouille utiliza de acordo com as circunstâncias a fim de ser notado pelos outros. 

• Ele tem um olfato extremamente desenvolvido, o que lhe permite reconhecer os odores mais imperceptíveis. Conseguia cheirá–los a distâncias inacreditáveis e armazenava–os em sua memória, também excepcional. Esse olfato é sua principal característica, o que lhe permite confeccionar perfumes de qualidade excepcional. 

Sobre o autor: 

• Homem tímido que se recusa a dar entrevistas e a aparecer na televisão. 

• Suskind fascina o leitor com a incrível sensualidade do seu texto e o prazer de escrever tão bem. 

• Seu livro foi recebido com louvores pelos críticos de toda a Europa e se transformou em um Best-seller. Em poucas semanas foram vendidos mais de um milhão de exemplares.