sábado, 16 de julho de 2011

Triste fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)

PERSONAGENS:
  • Policarpo Quaresma: Personagem protagonista;
  • Dona Adelaide: irmã de Quaresma, mora com ele;
  • Ricardo Coração dos outros: Violonista amigo de Quaresma que o ensinava à tocar violão;
  • Coleoni: Imigrante italiano inimigo de Quaresma;
  • Olga: filha de Coleoni, afilhada de Quaresma;
  • General Albernaz e família; amigos de Quaresma.

TEMPO E ESPAÇO:
  • A história ocorre durante o governo de Floriano Peixoto, 1894, no Rio de Janeiro.

ASPECTOS MAIS IMPORTANTES:
  • Obra da época Pré-modernista, caracterizada pela critica ao governo e a retratação dos problemas sociais brasileiros.

O LIVRO:
  • Explora personagens populares;
  • Valoriza a vida suburbana (RJ);
  • Crítica as instituições (governo e exército);
  • Caricatura dos poderosos;
  • Coloquialismo;
  • Visão crítica sobre a classe média e a pequena burguesia;

TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA – RESUMO:

O funcionário público Policarpo Quaresma, nacionalista e patriota extremado, é conhecido por todos como major Quaresma, no Arsenal de Guerra, onde exerce a função de subsecretário. Sem muitos amigos, vive isolado com sua irmã Dona Adelaide, mantendo os mesmos hábitos há trinta anos. Seu fanatismo patriótico se reflete nos autores nacionais de sua vasta biblioteca e no modo de ver o Brasil. Para ele, tudo do país é superior, chegando até mesmo a "amputar alguns quilômetros ao Nilo" apenas para destacar a grandiosidade do Amazonas. Por isso, em casa ou na repartição, é sempre incompreendido.
Esse patriotismo  leva-o a valorizar o violão, instrumento marginalizado na época, visto como sinônimo de malandragem. Atribuindo-lhe valores nacionais, decide aprender a tocá-lo com o professor Ricardo Coração dos Outros. Em busca de modinhas do folclore brasileiro, para a festa do general Albernaz, seu vizinho, lê tudo sobre o assunto, descobrindo, com grande decepção, que um bom número de nossas tradições e canções vinha do estrangeiro. Sem desanimar, decide estudar algo tipicamente nacional: os costumes tupinambás. Alguns dias depois, o compadre, Vicente Coleoni, e a afilhada, Dona Olga, são recebidos no melhor estilo Tupinambá: com choros, berros e descabelamentos. Abandonando o violão, o major volta-se para o maracá e a inúbia, instrumentos indígenas tipicamente nacionais.
Ainda nessa esteira nacionalista, propõe, em documento enviado ao Congresso Nacional, a substituição do português pelo tupi-guarani, a verdadeira língua do Brasil. Por isso, torna-se objeto de ridicularizarão, escárnio e ironia. Um ofício em tupi, enviado ao Ministro da Guerra, por engano, levá-o à suspensão e como suas manias sugerem um claro desvio comportamental, é aposentado por invalidez, depois de passar alguns meses no hospício.
Após recuperar-se da insanidade, Quaresma deixa a casa de saúde e compra o Sossego, um sítio no interior do Rio de Janeiro; está decidido a trabalhar na terra. Com Adelaide e o preto Anastácio, muda-se para o campo. A idéia de tirar da fértil terra brasileira seu sustento e felicidade anima-o. Adquire vários instrumentos e livros sobre agricultura e logo aprende a manejar a enxada. Orgulhoso da terra brasileira que, de tão boa, dispensa adubos, recebe a visita de Ricardo Coração dos Outros e da afilhada Olga, que não vê todo o progresso no campo, alardeado pelo padrinho. Nota, sim, muita pobreza e desânimo naquela gente simples.
Depois de algum tempo, o projeto agrícola de Quaresma cai por terra, derrotado por três inimigos terríveis. Primeiro, o clientelismo hipócrita dos políticos. Como Policarpo não quis compactuar com uma fraude da política local, passa a ser multado indevidamente.O segundo, foi a deficiente estrutura agrária brasileira que lhe impede de vender uma boa safra, sem tomar prejuízo. O terceiro, foi a voracidade dos imbatíveis exércitos de saúvas, que, ferozmente, devoravam sua lavoura e reservas de milho e feijão. Desanimado, estende sua dor à pobre população rural, lamentando o abandono de terras improdutivas e a falta de solidariedade do governo, protetor dos grandes latifundiários do café. Para ele, era necessária uma nova administração.
A Revolta da Armada - insurreição dos marinheiros da esquadra contra o continuísmo florianista - faz com que Quaresma abandone a batalha campestre e, como bom patriota, siga para o Rio de Janeiro. Alistando-se na frente de combate em defesa do Marechal Floriano, torna-se comandante de um destacamento, onde estuda artilharia, balística, mecânica.
Durante a visita de Floriano Peixoto ao quartel, que já o conhecia do arsenal, Policarpo fica sabendo que o marechal havia lido seu "projeto agrícola" para a nação. Diante do entusiasmo e observações oníricas do comandante, o Presidente simplesmente responde: "Você Quaresma é um visionário".
Após quatro meses de revolta, a Armada ainda resiste bravamente. Diante da indiferença de Floriano para com seu "projeto", Quaresma questiona-se se vale a pena deixar o sossego de casa e se arriscar, ou até morrer nas trincheiras por esse homem. Mas continua lutando e acaba ferido. Enquanto isso, sozinha, a irmã Adelaide pouco pode fazer pelo sítio do sossego, que já demonstra sinais de completo abandono. Em uma carta à Adelaide, descreve-lhe as batalhas e fala de seu ferimento. Contudo, Quaresma se restabelece e, ao fim da revolta, que dura sete meses, é designado carcereiro da Ilha das Enxadas, prisão dos marinheiros insurgentes.
Uma madrugada é visitado por um emissário do governo que, aleatoriamente, escolhe doze prisioneiros que são levados pela escolta para fuzilamento. Indignado, escreve a Floriano, denunciando esse tipo de atrocidade cometida pelo governo. Acaba sendo preso como traidor e conduzido à Ilha das Cobras. Apesar de tanto empenho e fidelidade, Quaresma é condenado à morte. Preocupado com sua situação, Ricardo busca auxílio nas repartições e com amigos do próprio Quaresma, que nada fazem, pois temem por seus empregos. Mesmo contrariando a vontade e ambição do marido, sua afilhada, Olga, tenta ajudá-lo, buscando o apoio de Floriano, mas nada consegue. A morte será o triste fim de Policarpo Quaresma.

sábado, 2 de julho de 2011

O príncipe e o mendigo (Mark Twain)

Tom Canty e Edward, príncipe de Wales, nasceram em Londres no mesmo dia. O primeiro era indesejado e muito maltratado por um pai cruel. O segundo nasceu coberto de carinhos e riquezas.
Quando criança, Tom era forçado a pedir esmolas nas ruas e era espancado pelo pai, John Canty. Para esquecer sua vida infeliz, Tom gostava de brincar que era um príncipe e sonhava com uma vida mais cômoda. Um dia, querendo ver o verdadeiro príncipe, ele tentou se aproximar da carruagem real e foi esbofeteado por um guarda. Edward, o menino rico, viu o incidente e ficou com pena do menino convidando-o para ir ao palácio. Lá, Tom confessou seu velho sonho de ser um príncipe. Resolveram experimentar cada um a vida do outro. Quando trocaram de roupas, eles descobriram que eram idênticos em aparência. Por um engano dos criados, Edward foi expulso do palácio e Tom assumiu seu lugar.
Perdido pelas ruas, Edward tentava dizer que era o verdadeiro príncipe, mas todos riam dele. Enquanto isso, no palácio, todos começaram a achar que o príncipe tinha enlouquecido porque ele não conseguia mais se lembrar do que já aprendera.
Também não conseguia se portar de uma maneira educada. O Rei Henry fez uma lei, proibindo que se comentasse sobre o lapso de memória do “príncipe” e as princesas Mary e Elizabeth carinhosamente tentavam ajudar seu suposto irmão. Nessa altura, Tom já estava com medo de confessar que era, na verdade, um mendigo vestido de príncipe. Tempos antes disso, quando descobrira estar doente, o Rei Henry deixara o anel com o selo real com o príncipe Edward. Agora, Henry queria o anel de volta, mas Tom não sabia, naturalmente, onde é que ele estava.
O verdadeiro príncipe estava perdido, mendigando pelas ruas quando foi encontrado por John Canty, pai de Tom, que brigou com ele e tentou lhe dar umas pancadas. Edward acabou conseguindo escapar do suposto pai e encontrou um velho conhecido: Miles Hendon, o filho deserdado de um barão, namorado da linda Edith.
Miles também achou que Edward era louco, mas, depois que viu o anel real começou a acreditar na estória. O problema é que Miles, tendo sido deserdado (por causa de uma trapaça de seu irmão Hugh), ele também não poderia ser recebido no palácio para contar a verdade. Enquanto isso, Tom vivia seu momento “Pigmalião”, aprendendo a se portar como um monarca.
John Canty conseguiu afastar Edward da proteção de Miles e fez o jovem se unir a um bando de ladrões. Um deles, Hugo, começou a ensinar a Edward os truques para fazer assaltos. Certo dia chegou a notícia de que o rei tinha morrido. O príncipe logo seria coroado. Conseguindo escapar, Edward encontrou um eremita louco que quase o matou, pensando que fosse mesmo o príncipe. Ele foi salvo por John Canty e Hugo e teve que voltar ao bando de ladrões. Posteriormente, Miles o encontrou e salvou.
Em companhia de Edward, Miles foi atrás de Edith, decidido a se casar pois gostava dela, mas, lá chegando, soube que seu pai tinha morrido e que Hugh estava para se casar com sua noiva. O traiçoeiro Hugo prendeu Miles, mas Edward conseguiu salvá-lo. Juntos, eles chegaram a Londres, um dia antes da coroação do rei Edward VI. Pouco antes da coroação, Miles desrespeitou o “príncipe” só para chamar a atenção. Os guardas o agarraram e ele contou a estória de Edward que mostrou o anel real e provou ser o verdadeiro herdeiro da coroa.
O final é feliz: Edward foi coroado rei e prometeu que ajudaria Tom para o resto da vida. John Canty fugiu, escapando da forca. Hugo duelou com Miles e foi morto. Miles e Edith ficaram livres para se casar.