sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Se Houver Amanhã (Sidney Sheldon)


Sidney Sheldon tem uma forma única de criar um personagem marcante e nos transportar para dentro da história, e com este empolgante romance nos leva às aventuras de Tracy Whitney.
Tracy é uma jovem idealista, trabalha em um banco e está noiva e grávida do socialite Charles Stanhope III. Custa a crer na sorte que tem e está radiante de felicidade.
Mas o suicídio de sua mãe muda todo o seu destino: (ao descobrir que a mãe se matou por não suportar perder todo o patrimônio que o marido lhes deixara) para Joe Romano - integrante da máfia - Tracy resolve tirar satisfações com o mesmo, e se vê enredada numa armação criminosa que a leva a ser presa e condenada por roubo e tentativa de homicídio.
Na prisão ela tenta falar com o noivo, que a despreza e abandona sem nem tentar ouvi-la e entender o que aconteceu.
Na penitenciária ela se vê cercada das criminosas mais violentas que jamais imaginou existir e, ao ser estuprada e violentada por elas, perde o bebê que estava esperando, mas começa a enxergar sua nova realidade: o mundo que conhecia não existia mais, a mãe maravilhosa e carinhosa estava morta e o noivo perfeito não a queria mais, e se quisesse sobreviver para se vingar daqueles que a haviam colocado ali, teria que mostrar a todos um outro lado que ela não tinha. Conseguiu impor sua posição dentro da cela e ganhou a amizade e o respeito da chefe de suas companheiras. A ajuda desta chefe, a negra Ernestine Littlechap, a protegeria também dos assédios da chefe de um grupo rival: Big Bertha, uma homossexual grandalhona e agressiva.
Seus dias na penitenciária são para ela um tempo de aprendizado para quando conseguir fugir colocar em prática seus planos de vingança. A oportunidade de fuga surge quando ela trabalha como babá da filha do diretor do presídio, e consegue formular um plano para escapar no caminhão da lavanderia. A rotina da criança é de dormir após o almoço, e é neste horário que ela planeja escapar. Mas no dia marcado há visitas na casa - o Governador e o Comitê de Reforma Penitenciária - e a mãe da menina muda os hábitos, mandando ela sair com a criança. Sem saber o que fazer, pede a alguém para olhar a criança e sai correndo, mas a menina chama a sua atenção ao ficar na borda de um lago artificial e cai nas águas profundas. Ela volta para salvar a criança e perde a chance de fugir. Mas em reconhecimento a sua coragem e apego à criança, ela ganha através do governador o perdão e a liberdade.
A primeira providência de Tracy é se vingar das pessoas que armaram contra ela: Joe Romano, o chefão Anthony Orsatti, o advogado Perry Pope, o Juíz Henry Lawrence e seu ex-noivo Charles Stanhope III.
Uma vez de volta ao mundo civilizado e tendo satisfeito seu desejo de vingança, ela tenta recomeçar sua vida e, inocentemente quer ter seu antigo emprego de volta. Não consegue, é claro, e não consegue outros porque sua ficha criminal a precede e ninguém quer se arriscar a lhe dar emprego. Uma presidiária havia lhe indicado uma pessoa, um dono de uma joalheria que ajuda ex-presidiárias. Tracy o procura, mas o que ele propõe é que ela se torne uma ladra profissional. Ela recusa e volta a tentar um emprego honesto. Quando não tem mais saída nem recursos financeiros ela volta à joalheria e aceita o trabalho.
Daí por diante sua vida se transforma completamente. Tracy se torna expert em disfarces e passa a circular nos meios mais sofisticados, conhecendo as pessoas mais ricas e importantes de vários lugares do mundo. Se apresentando como nobre européia ou esposa de magnatas do petróleo, ou como viúva rica e desamparada e mil outros disfarces engenhosos, ela consegue entrar em lugares fabulosos e cometer roubos fantásticos.
Nesse submundo do crime, Jeff Stevens, de má índole, é seu rival constante, e se torna uma disputa entre eles saber o que o outro planeja e chegar na dianteira, e após um confronto na tentativa de um grande roubo ao Museu do Prado, eles se descobrem apaixonados. Trabalham juntos em outro grande desafio e resolvem se assumir e mudar de vida.
Mas será que após todo esse tempo eles conseguem viver de outra maneira?
Tracy consegue se vingar das pessoas que a prejudicaram e muda o rumo da sua vida, mas o que ela tem agora nem de longe lembra o que seria sua vida antes da prisão. Ela vive fugindo e se escondendo, é conhecida mundialmente e bem sucedida financeiramente longe do que poderia um dia sequer imaginar.
Tracy se impôs à condição de só aceitar um trabalho quando tivesse certeza de que a pessoa atingida fosse  tão criminosa quanto ela e que isso não prejudicasse outras pessoas.
Para ela e Jeff o amanhã poderia trazer uma aventura irresistível, viagens para lugares exóticos, fortunas difíceis de calcular. Como abrir mão desta vida? Só o amanhã dirá.


domingo, 11 de dezembro de 2011

Marley e eu (John Grogan)

O livro conta a história de amor entre um cachorro e seu dono. O autor demonstra como pode ser forte a relação do ser humano com o animal, como ele pode ser importante na vida de um casal. 

John e Jenny haviam se casado a um ano . Já tinham muita vontade de ter filhos, mas como um dia John deu para Jenny uma planta Comigo-ninguém-pode e a planta morreu nos primeiros dias, achavam que precisavam "testar" seus instintos maternais cuidando de um cão.

Jenny havia achado um anúncio na seção CÃES no jornal, que dizia "Filhotes de labrador, amarelo. AKC raça pura. Todos os matrizes. Pais no local" . Quando finalmente John aceitou, foram ver os filhotes. Na porta do "canil de fundo de quintal" encontraram Lori, a criadora, acompanhada por Lily, a orgulhosa mamãe. Mas o pai não estava lá. John e Jenny nem se importaram e foram correndo ver os filhotes. Um macho havia chamado a atenção deles; os filhotes machos estavam por 375 dólares , mas Lori disse que fazia por 350 aquele que eles tinham gostado. Eles adoraram o filhote e Lori disse que depois de 3 semanas poderiam levá-lo para casa. Ao irem embora, viram um grande Labrador cheio de lama correndo para os quintais da casa da criadora. Eles haviam acabado de conhecer o pai dos filhotes. 

John e Jenny começaram a brigar por causa do nome, mas depois de muita discussão decidiram que o filhote se chamaria Marley, ou melhor: Grogan's Magestic Marley Of Chunchill. 

Chegando em casa - John ficou as três semanas lendo mais sobre cachorros, até que chegou em uma frase que lhe assustou "Os pais são uma das melhores do futuro temperamento de seu novo filhote, Grande parte do comportamento é herdado" - Jenny havia viajado com a família para Orlando, e quando Marley chegou gritou tanto de medo que John colocou-o para dormir ao lado de sua cama.

Senhor Terremoto - Marley estava crescendo a uma velocidade incrível, e todas as visitas diziam "A casa de vocês já é a prova de bebês".

Uma noite Jenny se sentiu meio estranha, e quando ela fez o teste de gravidez constatou que estava grávida. Depois ela foi ao médico, que havia confirmado a gravidez. Quando foram fazer o ultra som não viram nada, e depois constataram que o feto estava morto.

No dia seguinte foram a uma prainha e ficaram brincando com Marley, e John ficava sacaneando ele por não conseguir pegar o graveto. Ao amanhecer do dia seguinte, John foi comprar um buquê de flores, e na volta foi comprar um osso gigante para Marley. Ao chegar em casa, Marley havia comido todos os cravos , fazendo Jenny ficar mais alegre.

Quando Marley tinha apenas seis meses, foi inscrito em aulas de adestramento, mas foi expulso na segunda aula. John ficou inconformado e começou a treiná-lo em casa. John e Jenny haviam decidido castrar Marley para diminuir sua hiperatividade.

John e Jenny foram viajar para a Irlanda, deixando Marley sob os cuidados de uma amiga, Kathy. Na Irlanda, aproveitaram bem e quando voltaram, Kathy estava pronta para ir embora, e semanas depois descobriram que Jenny estava grávida novamente.

Esta gravidez foi diferente. Jenny se afastou dos produtos químicos e compraram meias para o bebê. No aniversário de Jenny, John comprou um lindo colar para Jenny, que Marley engoliu no mesmo dia. Três dias depois, acharam o colar nas fezes de Marley. 

Nove meses depois, o dia tão esperado chegou. Era um menino, e se chamaria Patrick, o nome do primeiro Grogan a chegar nos Estados Unidos. Marley foi muito pacífico com o bebê, tornando-o seu melhor amigo.

Quando Patrick completou 9 meses, Jenny engravidou novamente, mas aos cinco meses de gravidez, o bebê começou a fazer contrações , obrigando Jenny a ficar na cama por algumas semanas. Quando completaram sete meses de gravidez, o bebê nasceu e se chamaria Connor. Marley o aceitou do mesmo jeito.

Marley fez o teste para um filme A Última Jogada , e passou.

A família se mudou para Boca Raton, onde tiveram Collen, a primeira filha..

John encontrou um novo emprego que seria na Pensilvânia. A Organic Gardening, estava procurando um novo editor-chefe. Uma revista chamada Organic Gardening (publicada até hoje) fora lançada em 1942 por J. I. Rodale. A teoria de Rodale era de que os produtos químicos estavam lentamente envenenando a terra e seus habitantes. Então J.I. Rodale começou a fazer experiências com técnicas de agricultura que imitavam a natureza usando material produzido por plantas em decomposição como fertilizante e nutriente natural para o solo depois que esse material havia se transformado em um riquíssimo húmus escuro. Na agricultura orgânica não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente.

A família então se mudou para a Pensilvânia onde John iria trabalhar. As crianças e Marley conheceram a neve, que fornecia muitas brincadeiras para a família.

Marley envelhecera e aos quatorze anos teve que ser sacrificado. Foi enterrado sob as cerejeiras e algumas semanas mais tarde viram um cão idêntico a Marley sendo doado no abrigo de cães da cidade. A família então achou que ele havia renascido dos mortos.


domingo, 4 de dezembro de 2011

A Luneta Mágica (Joaquim Manuel de Macedo)

I- O romance
A ascensão da burguesia ao poder, e o surgimento do jornal [o primeiro aparece em 1808, no RJ] vieram modificar o gosto do público pela literatura. A nova mentalidade, menos refinada, menos educada e mais pragmática - voltada para os problemas do dia-a-dia - requer um gênero literário que possa estar à altura do seu entendimento e do seu gosto. E o romance, que há mais tempo vinha tomando forma [na Espanha, na Inglaterra e na França, sobretudo], começou a ensaiar seus primeiros passos no Brasil. Dos primeiros folhetins, publicados em jornais, por autores agora completamente esquecidos, passamos às primeiras manifestações mais apropriadas e logo festejadas pelo grande público. Atentos, sempre, ao anseio do novo público, surgiram os primeiros romancistas. E, com eles, os primeiros folhetins, entre estes está A Luneta Mágica, de Joaquim Manuel de Macedo.

II- Autor
Joaquim Manuel de Macedo nasceu em Itaboraí [RJ], em 1820. Fez o curso de Medicina e, no mesmo ano de sua formatura, 1844, publicou A Moreninha, muito apreciado pelo público da época. Foi jornalista, professor secundário, dramaturgo e romancista, obtendo destaque literário com este último gênero. Fundou, em 1849, a 'Revista Guanabara', juntamente com Gonçalves Dias e Araújo de Porto Alegre. Morreu no RJ, em 1882.
Macedo é o criador da ficção brasileira 'pela forma e pelo estilo'. Estuda a psicologia feminina, enquadrando-a no contexto emocional do Romantismo. Excelente observador retrata a burguesia carioca, reproduzindo seus costumes, manias e a mediocridade de seu pensamento.
Suas obras, apesar de variadas, apresentam estilo falho e superficial análise psicológica dos personagens, sendo, portanto, o seu principal mérito o de ser o introdutor da prosa de ficção em nosso Romantismo.
Também Macedo proporcionou aos leitores duas coisas que lhe garantiram popularidade: narrativas cujo cenário e personagens eram familiares, de todo o dia; peripécias e sentimentos enredados e poéticos, de acordo com as necessidades médias de sonho e aventura.

III - Enredo
No romance A Luneta Mágica, Macedo nos conta a história de Simplício, um rapaz que padece de um mal terrível: uma dupla miopia.
Miopia física: que o impede de ver ou distinguir qualquer coisa a duas polegadas de distância dos seus olhos.
Miopia moral: o impede de entender ou distinguir as idéias alheias ou de ajustar suas próprias idéias. [trata-se de um parvo, ingênuo,...]

Simplício ficou órfão aos 12 anos de idade e, desde então, vive com o mano Américo, que administra sua herança, com a devota tia Domingas e com a prima Anica. Certo dia, apesar de sua miopia, foi convidado para fazer parte de um júri. Lá conhece o Sr. Nunes que lhe fala do Reis, um gravador de vidros, capaz de resolver seu problema de miopia.
Depois de muitas tentativas, de lentes do mais alto grau, Reis reconhece que não pode ajudar Simplício, sua miopia é muito forte. Condoído, no entanto, com a dor do rapaz fala-lhe do Armênio - um artista de habilidades mágicas trazido da Europa pelo próprio Reis para trabalhar em sua oficina.
O desejo de Simplício de ver era tão grande que ele acaba aceitando ir visitar o Armênio. Este promete-lhe uma luneta mágica, mas avisa-lhe também que em pouco tempo o rapaz vai ter a convicção de que é melhor ser cego do que ver demais.
Assim, depois de pensar muito sobre tudo o que o Armênio havia lhe falado e consultar sua família, Simplício vai ao encontro do mágico no horário marcado, a meia-noite. Lá presencia o ritual de construção da luneta. Depois de muitas luzes, fogos e palavras mágicas, finalmente o mago entrega-lhe o objeto mágico, mas não antes de lhe avisar sobre os poderes e perigos da luneta: Simplício não deveria fixá-la mais de 3 minutos sobre qualquer objeto ou ser humano, pois assim passaria a ter a visão do mal [vingança da salamandra presa no vidro] e, além disso, não deveria também fixá-la em nada além de 13 minutos, pois esta seria a visão do futuro e, neste caso, para própria proteção do rapaz, a luneta se quebraria.
Ansioso com a possibilidade de enxergar, Simplício volta para casa e espera o amanhecer para experimentar a luneta. Maravilhado com a visão da aurora, acredita que será impossível ver qualquer coisa má nesta cena e decide, portanto, fixar sua luneta por mais de 3 minutos. De repente, fica horrorizado com o que vê: '-Meu Deus!...como a aurora é enganadora e falsa!...e como o sol é feio, terrível e mau!!!'. Concorda com o Armênio e diz que basta a visão da superfície e das aparências, a felicidade do homem está nas ilusões dos sentidos, nos enganos da alma, quer ser feliz e, portanto, não fará mais uso da visão do mal. No entanto, nosso jovem ingênuo, acaba por não resistir à visão do mal e começa a fixar sua luneta sobre tudo e todos.
A visão do mal permite-lhe ver a 'verdade' sobre a prima Anica, moça fria, sem sentimentos, mulher-cálculo, incapaz de amizade, interessada em se casar com Américo ou com Simplício por causa da fortuna; mano Américo, ambicioso avarento, rouba a família na administração dos bens; tia Domingas, invejosa, fofoqueira, sovina, deseja o casamento da filha com Américo pela fortuna...
Estas descobertas deixam Simplício horrorizado e decepcionado fazendo-o decidir procurar um advogado para administrar seus bens e uma esposa para formar uma nova família. Procura o Nunes para que este o ajude com seus planos. No entanto, ao fixar sua luneta sobre o velho, descobre um farsante e interesseiro.
Passa-se um mês e ele só encontra decepções, ninguém em quem confiar, nada em que acreditar. Os amigos são todos interesseiros, exploradores, as moças são todas falsas e impuras.
De repente, a cidade inteira comenta sua loucura e ele passa a ser perseguido e execrado em todos os locais. A família decide que ele está doente, tranca-o em casa e quer destruir sua luneta. A visita de um médico, no entanto, impede que ele seja declarado louco. Todos concordam que ele foi iludido pela magia e que com amor e carinho conseguirá superar tudo.
Ainda assim, Simplício não entrega a luneta e sabe que, embora não seja considerado louco será visto como um maníaco, portanto não há salvação. Decide, então, que a única coisa que poderá salvá-lo será a visão do futuro. Ele quer saber qual o seu futuro e por isso decide fixar a luneta nele mesmo [no espelho] por mais de 13 minutos. Entretanto, antes de chegar na visão do futuro, chega à visão do mal e se descobre um infame, caluniador, um inimigo da família, um homem capaz de maldizer todas as criações de Deus, um maldito...Antes de chegar na visão do futuro, a luneta quebra-se em suas mãos.
De novo, Simplício acha-se na escuridão, arrependido de ultrapassar a visão da superfície e das aparências, descobre-se, agora, sem nada, sem qualquer possibilidade de ver.
Depois de 8 dias enclausurado em casa, decide que já pode sair, as pessoas não lembrarão de mais nada - 'Não há atividade de opinião que resista à extensão, à eternidade de oito dias na nossa capital'.
Durante o passeio, reencontra o Reis que lhe conta sobre as fofocas do Nunes e o convence (novamente) a procurar Armênio. Assim, fica combinado um novo encontro, a meia-noite, no gabinete do mágico.
Mais uma vez Simplício presencia todo o ritual de construção da nova luneta e ouve os alertas do Armênio sobre o uso correto da lente. Dessa vez, se fixada por mais de três minutos, ela lhe dará a visão do bem.
Ao voltar para casa, esperançoso e feliz com a possibilidade de ver novamente, Simplício decide que escreverá a todos os jornais e falará sobre as maravilhas de que o Armênio é capaz. Ele não entende a descrença do Reis nas potencialidades mágicas. Acredita que o Armênio poderá ajudar muitas outras pessoas e que, portanto, não faz sentido manter tudo isso em segredo.
Depois de se questionar sobre que mal poderia haver na visão do bem, mais uma vez Simplício desobedece ao mágico e fixa sua luneta por mais de três minutos. Começa por enxergar a prima Anica, um anjo de inocência e de candura; tia Domingas, a devoção e a piedade personalizada; o mano Américo, a pura dedicação fraternal.
“-Eu tinha a febre da felicidade. O mundo e a vida me festejavam o coração; eu desejava rir, divertir-me, folgar”.
Maravilhado com a visão do bem, apaixona-se pela prima Anica e por mais trinta e tantas outras moças, inclusive por Esmeralda, uma conhecida prostituta do 'Alcasar Lírico'. Reconhece a bondade e a pureza de coração em todos que dele se aproximam, ajuda a todos, paga jantares, dá esmolas, contribui para fundos de caridades através dos 'amigos', que são cada vez em maior número. Reencontra o Nunes, visita-lhe a família, apaixona-se por sua filha, salda suas dívidas. Enfim, passa a ser explorado e ridicularizado por todos sem perceber. Quando alguns tentam lhe avisar sobre o que está acontecendo, fica confuso, pois descobre a verdade na boca destas almas boas, mas não entende como isso pode ser possível.
Mais uma vez desesperado e angustiado, descobre que a visão do bem é um martírio.
Com a alma atormentada, presencia um funeral e percebe a beleza, a felicidade da morte. Decide, portanto, que o melhor que tem a fazer é morrer. Como não tem armas ou veneno, nem meios para consegui-los, sobe até o alto do Corcovado para se jogar de lá de cima. Antes, porém, pensa uma vez na visão do futuro, dá uma última olhada através da luneta mágica para a cidade, a capital do Império do Brasil. Passa-se os treze minutos e a luneta se quebra em suas mãos. Mais uma vez nas trevas, Simplício não hesita e se joga do parapeito. Duas mãos possantes, no entanto, suspenderam-lhe pelas orelhas - era o Armênio.
Depois de conversarem sobre tudo o que havia acontecido, o mágico fala-lhe sobre as lições das lunetas:
• “Exagerar é mentir”.
• “No mundo há o bem e o mal como há na vida o prazer e a dor”.
• “Mas o bem é o bem, o mal é o mal como são e não podem deixar de ser para humanidade que é imperfeita: perfeito bem, absoluto mal não há para ela”.
• “A imperfeição e a contingência da humanidade são as únicas idéias que podem fundamentar um juízo certo sobre todos os homens...Cada qual é o que é e cada qual tem as suas qualidades, e seus defeitos”.
• Depois desta conversa, o Armênio decidiu dar-lhe uma última luneta mágica - A Luneta do Bom Senso -. Desta vez, no entanto, Reis faz Simplício prometer segredo sobre o assunto.