domingo, 29 de abril de 2012

O signo dos quatro (Sir Arthur Conan Doyle)


Introdução:

“O Signo dos Quatro” retrata a segunda aventura de Sherlock Holmes em companhia do Dr. Watson, provando que detetives como Holmes também podem precisar de auxílios exteriores para desvendar o caso.

Estrutura:

O livro tem um estrutura bem diferente da do primeiro livro no quesito divisão das partes. O começo é rápido, intrépido, com o caso resolvido da metade para o final, que já é bem mais lento e conta a história do assassino.

Conteúdo:

“O Signo dos Quatro” começa com Holmes enfadado por não ter nenhum mistério a resolver e por Dr. Watson ter descrito sua aventura em seu diário com o nome de “Um Estudo Em Vermelho”, a ponto de tomar uma solução de cocaína a 7% em sua própria veia para deixar seu cérebro mais ativo. Holmes faz algumas considerações sobre a ciência da dedução analisando um relógio que Watson herdara, até que Miss Morstan chega para ter com o detetive. Expõe o caso estranho do desaparecimento de seu pai, as seis pérolas que recebera ano após ano, e a carta que recebera naquela manhã e que exigia que ela estivesse

Na coluna da esquerda diante do Lyceum Theatre, esta noite, às sete horas. Se desconfiar, venha com dois amigos. Você sofreu um dano e terá justiça. Não traga a polícia. Se o fizer, tudo será em vão.

Holmes e Watson combinam com a garota às seis. Sherlock aproveita para buscar referências, e só volta às cinco e meia. O detetive descobrira que o único amigo do pai de Ms. Morstan, Major Sholto, morrera no dia 28 de Abril de 1882, notando que os presentes começaram logo após a morte deste. Sendo assim, Holmes deduz que o homem que envia as pérolas é o herdeiro de Sholto, como compensação por a terem privado do pai. Ms. Morstan traz ao conhecimento de Holmes um papel que, num primeiro momento, este não consegue associar ao caso com sucesso, mas guarda para averiguação. Os três se encaminham para o Lyceum Theatre, e depois são conduzidos até um lugar suburbano de difícil acesso, habitado por um hindu riquíssimo chamado Thaddeus Sholto, filho do Major. Ele conta que seu pai andara esquisito nos últimos anos, e tinha aversão a homens com pernas de pau. Depois, recebera uma carta da Índia que lhe causou grande afetação, até que estivesse para morrer. Em seus últimos momentos de vida, Sholto relata que, na noite da morte de Morstan, este e ele discutiram, e como o capitão sofria do coração, teve um infarto e bateu a cabeça contra a quina do baú. Temendo ser condenado pela morte que não cometera, visto que até seu criado fiel não confiava nele, Sholto escondeu o corpo e ficou com o tesouro para si. Quando ia revelar a posição do tesouro, um rosto calvo apareceu na janela, para desespero de Sholto que começou a gritar desesperadamente até morrer. Quando os irmãos olharam novamente para a janela, o rosto havia sumido. Thaddeus e Bartholomew, seu irmão gêmeo, reviraram a casa atrás do tesouro, e quando voltaram ao quarto de Sholto percebem que o mesmo fora revirado e na cômoda havia um papel intitulado “O Signo Dos Quatro”. As pérolas que Ms. Morstan recebia eram de uma grinalda que fazia parte do tesouro, e Thaddeus que tomara a iniciativa de enviá-las. Então, os quatro se encaminham para a casa em Pondicherry Lodge.
Ao lá chegarem, descobrem que Bartholomew fora assassinado. Holmes aconselha Thaddeus a procurar a polícia, e analisa os indícios do crime: um espinho envenenado cravado no pescoço de Bartholomew, os pés pequenos no sótão, a corda utilizada para que alcançassem o alçapão no teto, uma impressão de cotoco de pau e de um sapato pesado de metal no chão, o cresoto e a pegada nele. Athelney Jones, oficial da polícia, prende Thaddeus e dá o caso por encerrado, mas Holmes e o apaixonado Watson vão seguir o rastro de cresoto com um cão farejador. Holmes concluiu que o homem da perna de pau é o tal Jonathan Small do documento do pai de Ms. Morstan. Seguindo o rastro verdadeiro de cresoto, descobrem que a lancha mais rápida da margem do rio estava alugada, e que pai e filho não haviam retornado ainda. Holmes, junto com Jones (que tivera que soltar Thaddeus por falta de provas), arma uma cilada para Small. Quando este sai da oficina com a lancha, Holmes, Watson e o policial vão atrás dele com a lancha mais rápida que conseguiram. O Homenzinho do pé pequeno, um aborígene, tenta lançar dardos na lancha do inimigo, mas Holmes e Watson alvejam-lhe, que cai e desaparece para as profundezas do rio. Small é preso e conta a sua história: ele e mais três amigos haviam “encontrado” um tesouro, mas precisavam fugir da prisão para tê-lo. Então, eles confidenciam a posição do tesouro para Major Sholto e Capitão Morstan, mas são enganados e juram vingança. Small, depois de sair da prisão, vem atrás de Sholto, só que este morre antes que possa lhe revelar onde está o tesouro. O aborígene mata Bartholomew a contragosto de Small, que revela que o tesouro estava nas profundezas do rio junto com o aborígene. Muito apaixonado e com seus temores levados junto com o tesouro, Watson pede Ms. Morstan em casamento.

Análise:

O livro é bem interessante, apesar de perder feio para “Um Estudo Em Vermelho” em matéria de excitação. A divisão do livro, apesar de ser parecida com a do primeiro, favorece a história. Até o assassino ser capturado, a história é cativante – não tão dinâmica. A parte em que Small conta sua história, infelizmente, é enfadonha e poderia ser suprimida do livro se o mistério não tivesse que ser confessado pela boca do assassino. Sintetizando, de 0 a 10, a nota seria 6.

Recomendações:

A minúcia de Holmes está mais aguçada nesse segundo livro – um fato que muitos fãs admiram. Em matéria de dinamismo, se esperar muito dele poderá se decepcionar.

DICA: Se for ler em e-book, recuse aqueles em que o primeiro capítulo comece em um diálogo de Sherlock Holmes e Watson, pois está INCOMPLETO. O primeiro capítulo original começa com Sherlock aplicando a solução de cocaína a 7% em seu braço.

domingo, 22 de abril de 2012

Robinson Crusoé (Daniel Defoe)


O livro conta a história de Robinson Crusoé que era um jovem marinheiro inglês. Um dia ele decide seguir seu caminho e parte para uma aventura sem avisar ninguém. Então embarca em um navio. Como castigo do destino, seu navio é pego por uma tempestade e naufraga. Toda a tripulação morre, exceto o jovem Crusoé, encalhado naquela ilha do Caribe. Lá ele tem duas escolhas: se deixar levar pela maré ou lutar pela sua vida. Ele busca por mantimentos no navio naufragado. Constroi uma fortaleza de madeira na praia e uma outra casa, embrenhada na floresta, a qual chamava de "Casa de Campo" onde plantou cereais a partir de grãos que haviam no navio. Fez também todas as ferramentas, mesa, cadeira e tudo o mais de que precisava para seu uso. Durante 25 anos de solidão absoluta, Robinson encontra outros valores éticos em sua vida, inclusive a religião onde passava a ler sempre a Bíblia que havia encontrado no antigo navio.
Depois de anos e anos vem uma descoberta: Robinson descobre uma “pegada” e então percebeu que não estava sozinho na ilha. Descobriu uma tribo de canibais, e destes canibais ele conseguiu "domesticar" um. Deu o nome à esse índio de Sexta-Feira. A princípio, tenta voltar às suas origens sociológicas e escraviza o homem. Aos poucos, entretanto, sua humanidade é aflorada e ele encontra um amigo.
Depois de muitos anos já na ilha, Robinson encontra um barco no horizonte e este o leva de volta até sua querida Inglaterra, deixando na ilha alguns espanhóis que sendo prisioneiros preferiram ficar morando na ilha do que voltar e serem enforcados.
Robinson, depois de um tempo e de muitas outras aventuras decide voltar à ilha e lá encontra os amigos espanhóis que o haviam ajudado a sair da ilha. A ilha já estava habitada, inclusive com crianças, pois anos atrás mandaram mulheres para lá também. Robinson fretou um navio com armas, provisões, vacas e outros animais e levou para a ilha que se tornara próspera e populosa em um vilarejo, no meio do Caribe.





domingo, 15 de abril de 2012

Quincas Borba (Machado de Assis)

A História gira em torno da vida de Rubião, amigo e enfermeiro particular do filósofo Quincas Borba.
Quincas Borba vivia em Barbacena e era muito rico, e ao morrer deixa ao amigo toda a sua fortuna herdada de seu último parente.
Trocando a pacata vida provinciana pela agitação da corte, Rubião muda-se para o Rio de Janeiro, após a morte de seu amigo, causado por infecção pulmonar.
Leva consigo o cão, também chamado de Quincas Borba, que pertencera ao filósofo e do qual deveria cuidar sob a pena de perder a herança.
Durante a viagem de trem para o Rio de Janeiro, Rubião conhece o casal Sofia e Palha, que logo percebem estar diante de um rico e ingênuo provinciano.
Atraído pela amabilidade do casal e, sobretudo, pela beleza de Sofia, Rubião passa a frequentar a casa deles, confiando cegamente no novo amigo.
Palha, este novo amigo, se destaca como um esperto comerciante e administra a fortuna de Rubião, tirando parte de seus lucros.
Com o tempo, Rubião sente-se cada vez mais atraído por Sofia, que mantém com ele atitude esquiva, encorajando-o e ao mesmo tempo impondo uma certa distância.
Por outro lado, a ingenuidade de Rubião torna-o presa fácil de várias outras pessoas interessadas e oportunistas, que se aproximam dele para explorá-lo financeiramente.
Aos poucos, acompanhando a trajetória de Rubião, percebe-se como funciona a engrenagem social da época.
Como ocorre a disputa entre as pessoas, as lutas pelo poder político e pela ascensão econômica da época, dessa maneira o romance projeta um quadro também bastante crítico das relações sociais da época.
A Corte era a capital, o Rio de Janeiro, cuja  moda era ditada pela tendência Francesa.
Depois de algum tempo, Rubião começa a manifestar sintomas de loucura, que o levará à morte, a mesma loucura de que fora vítima o seu amigo, o filósofo Quincas Borba, de quem herda a fortuna.
Louco e explorado até ficar reduzido à miséria, o destino trágico de Rubião exemplifica a tese do Humanitismo.
Seguindo a trajetória do Humanitismo, a filosofia inventada por Quincas Borba, de que a vida é um campo de batalha onde só os mais fortes sobrevivem.
Os fracos e ingênuos, como Rubião, são manipulados e aniquilados pelos mais fortes e mais espertos, como Palha e Sofia, que no final, estão vivos e ricos, tal como dizia a teoria do Humanitismo.
Esse foi o principio de Quincas Borba: nunca há morte, há encontro de duas expansões, ou expansão de duas formas.

As aventuras de Pinóquio ( Carlo Collodi)

Um pedaço de madeira falante aparece misteriosamente na oficina de mestre Cereja. O marceneiro, apavorado, presenteia o amigo Gepeto com essa peça de madeira viva. Gepeto tem planos ambiciosos: fabricar uma marionete maravilhosa, capaz de dançar e dar saltos mortais, e ganhar o mundo com sua atração.Os planos do pobre marceneiro, porém, não se concretizam. Mal nasce, Pinóquio já começa com suas estripulias: arranca a peruca amarela de seu "pai", e seu nariz começa a crescer até se tornar um "narigão interminável". Daqui por diante, Pinóquio vai se meter em confusão atrás de confusão. Vende a cartilha que ganhou de Gepeto, escapa de ir à escola e vai parar no Grande Teatro de Marionetes. Ele se defronta com as artimanhas da Raposa e do Gato, que o levam para o Campo dos Milagres e tentam enforcá-lo. Do seu lado, estão o conselheiro Grilo-Falante e a Fada de cabelos azuis, que aparece para salvá-lo da armadilha do País dos Brinquedos, onde os meninos se transformam em burros. As aventuras de Pinóquio é a obra original de Carlo Collodi, publicada pela primeira vez em 1883. Em seu percurso de transformação de boneco em menino, Pinóquio enfrenta as intempéries das noites longas e frias, depara com a autoridade da lei, padece de uma fome terrível e descobre a solidão da condição humana. Fantasia, humor e ironia se combinam neste clássico da literatura, indicado para todas as idades.

  • O livro foi escrito no final do século XIX.



Garibaldi e Manoela (Josué Guimarães)

Um homem alto de olhos azuis, braços de lenhador, que lutou a guerra dos farrapos no Rio grande do Sul e que se apaixonou por Manuela, sobrinha de Bento Gonçalves, comandante dos farrapos. Garibaldi pediu Manuela em casamento, mas seu tio Bento achava que ela não merecia se casar com um homem de guerra e inventou que a moça já era comprometida com seu filho Joaquim.
Garibaldi foi lutar a guerra e conheceu Anita com quem teve um filho. Depois de muitos anos Garibaldi escreveu um livro e disse que nunca esqueceu Manuela e quando ela morreu os jornais publicaram que tinha morrido a noiva de Garibaldi.

Filomena Borges - Aluísio Azevedo

É o quinto romance de Aluísio Azevedo, que escreveu também O Mulato, O Cortiço e Casa de Pensão considerados os romances mais importantes do autor.
Por ser visto como o 'pai' do naturalismo no Brasil, influenciado pelos escritores Eça de Queirós e Émile Zola, fundadores do naturalismo na Europa, Aluísio Azevedo busca em seus romances uma representação mais ou menos fiel do observado, fugindo assim da tendência romântica de idealização da realidade. Em seus livros, o cotidiano da vida na cidade, com alguns de seus personagens mais típicos, é elemento constante.
Neste romance encontramos o casal Borges e Filomena: esta, ambiciosa, busca através do casamento uma forma de ascender socialmente. Borges, no entanto, embora possua bens, é pacato, dócil cidadão sem muitas ambições. Assim, não corresponde ao ideal de marido que Filomena tem em mente.
Esta buscará, então, modificá-lo a todo custo. Um incidente na primeira noite mostra para Borges como será difícil seu casamento: Filomena o expulsa do leito nupcial, obrigando-o a dormir fora do quarto. Durante muito tempo a situação permanece sem alteração, apesar dos agrados constantes de Borges à esposa do cumprimento de todas as exigências dela, as quais, finalmente, acabarão por modificar profundamente o pacato marido, além de levá-lo à ruína econômica.
Borges faz tudo pelo sentimento que dedica à esposa, mas nunca chegará a desfrutar do que deseja acima de tudo: paz e tranqüilidade ao lado de sua Filomena.
Segundo o crítico Antônio Cândido, deve-se ler Filomena Borges "pelo viés do divertimento".
De fato, o autor cria situações hilariantes com o casal Borges e Filomena. Ainda, diz Cândido, "este romance é importante para a compreensão da personalidade literária de Aluísio Azevedo, que se caracteriza por uma mistura de bom humor e melancolia".
O grande número de palavras francesas de que se utiliza o autor, decorre da tendência vigente na época, quando a nossa literatura não só fazia uso abundante de termos franceses como tinha nela seu principal modelo.

Características:
Porém, como é de conhecimento daqueles que admiram a obra do escritor maranhense, Azevedo não escreveu somente obras influenciadas pelo movimento Naturalista. O autor, que também era caricaturista, redigiu diversos folhetins românticos, e um desses foi “Filomena Borges”. Grande parte dessa produção romântica do autor de “O Cortiço” é, nos dias de hoje, esquecida por boa parte dos críticos. De fato, os romances que não compõe a tríade “O Mulato”, “Casa de pensão” e “O Cortiço”, essa com características mais evidentes do movimento naturalista.
“Filomena Borges” traz para o leitor uma história narrada em terceira pessoa em que João Touro, o Borges, um homem de 40 anos, contrai núpcias com Filomena. O mestre-de-obras, que possuí também vários negócios na Corte, na noite de núpcias vai dormir no sofá, uma vez que a esposa não permite que ele consume o matrimônio. Para que ela lhe conceda alguns simples beijos, Borges tem que tomar ares de aristocrata. Sendo assim, ele é obrigado a tornar-se, praticamente, um dândi. O homem que nunca esteve acostumado às roupas, às danças e à etiqueta passa a ter que dar bailes em casa; em suma, tem que renegar todo o seu passado como um bom comerciante, um burguês. As coisas ficam mais desgostosas para Borges, quando Filomena decide viajar para Europa. O marido, apaixonado pela esposa, acompanha-a. Desse modo, o narrador conduz o leitor por diversos países do velho continente. No local, Filomena, leitora de romances e poemas, sente-se desgostosa em ver que a França, as cidades italianas etc., não eram aquilo tudo que ela imaginava. Mesmo assim, seguindo as idéias dos enredos romanescos aos quais ela estava habituada a ler, Filomena coloca o esposo em situações no mínimo inusitadas. O pobre Borges, tem que, por exemplo, num dos capítulos raptá-la, na Espanha, duma casa. O rapto, logicamente, planejado por Filomena.
Depois das aventuras na Europa, o casal retorna. Porém, as exigências da esposa tornam-se, cada vez, mais extravagantes. Devido a isso, os negócios de Borges vão à bancarrota. A partir daí, o casal parte para mais aventuras para tentar recuperar o dinheiro.
“Filomena Borges” é um bom livro, nele observa-se que Aluísio Azevedo, mesmo engessado pelos ditames dum folhetim romântico, mostra que é um escritor de qualidade. Por isso, o leitor encontrará boas críticas à “aristocracia” brasileira. Poder-se-ia dizer que o romance, dum certo modo, traz à tona uma propaganda anti-monárquica. Penso que a leitura faz sentido, haja vista que a obra foi publicada em 1884, nesse período o Brasil ainda estava sob o comando do Imperador Dom Pedro II.
Outro ponto interessante é que tal como faz em “Casa de Pensão”, Azevedo debocha do próprio estilo de romance romântico que ele é, para ganhar a vida, obrigado a escrever. Isso ficava evidente nas loucuras da protagonista Filomena.
Mesmo não sendo tão bom como as principais obras do escritor Maranhense, “Filomena Borges” por trazer bons diálogos e conter uma excelente sátira social do final do Segundo Império, é uma boa pedida para os que gostam dos romances oitocentistas brasileiros.