sábado, 13 de outubro de 2012

Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco)


Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, membros de família rivais da cidade de Viseu, em Portugal apaixonam-se "perdidamente”, no entanto, logo percebem à impossibilidade da realização desse amor por meio do casamento, pois suas famílias eram declaradamente inimigas. Não tarda muito para os jovens amantes sentirem na pele todo o ódio de seus pais.
Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa, ao descobrir o romance, trata de prometer a mão de sua filha a seu sobrinho Baltasar Coutinho. No entanto, a moça rejeita o pretendente, fato que irrita profundamente o pai. Surge, nesse momento, o segundo grande elemento complicador.
Desprezado e ofendido em seus brios Baltasar alia-se ao tio e juntos tramam o destino da pobre Teresa. Decididos, procuram persuadi-la a esquecer Simão, sob pena de a encerrarem em um convento. Teresa, temendo a ira de seu pai diante do rompimento causado por sua desobediência, aceita passivamente seu destino, prometendo afastar-se de Simão. No entanto, da repulsa ao casamento imposto por seu pai, ela continua irredutível.
A moça não aceitava um casamento contrário às regras de seu coração. Na casa dos Botelhos, concomitantemente a esse fato, o pai de Simão, muito irritado com aquela desdita paixão resolve pôr fim ao romance entre seu filho e Teresa, enviando o jovem Simão a Coimbra para concluir seus estudos, almejava com isso sufocar o amor dos jovens pela distância.
Porém, nem mesmo esse empecilho foi capaz de destruir esse infortúnio sentimento. Teresa mesmo confinada em sua casa escrevia a Simão, contando os dissabores por que passava e haveria de passar, sob as pressões de seu primo e de seu pai. Contudo, mesmo diante dessas adversidades, os amantes clandestinamente se comunicavam por cartas com certa freqüência.
Comunicação essa, que revigorava ainda mais o amor dos dois. Simão, enlouquecido pela saudade de sua amada, decide ir a Viseu encontrar-se com Teresa. Furtivamente, é hospedado pelo ferreiro João da Cruz, homem destemido, forte e fiel. Sob proteção de João, Simão tenta chegar à casa de Teresa, mas lá estava Baltasar comemorando o aniversário da prima. O astuto Baltasar consegue perceber a ansiedade de Teresa e deduz o que estava para acontecer.
No meio da festa a jovem tenta falar com Simão no jardim, contudo o casal é surpreendido, arma-se uma confusão que culmina com as mortes de dois criados de Baltasar. Desse entrevero Simão sai ferido.O rapaz busca refúgio na casa de João da Cruz para recuperar-se dos ferimentos. Entretanto, ainda não estava determinado o fim desse romance.
Os amantes ainda mantinham comunicação por meio de uma velha mendiga que passava com freqüência sob a janela do quarto de Teresa. Para punir a rebeldia da filha, Tadeu de Albuquerque decide mandá-la a um convento do porto - chamado Monchique - cuja prioresa era patente de Teresa. Antes, porém, a jovem é recolhida em um convento na própria cidade de Viseu, enquanto Tadeu aguardava a resposta do Porto.
Em Viseu, na casa do ferreiro, Mariana, filha de João da Cruz, torna-se a enfermeira de Simão, tratando-o com muito cuidado. Nasce nela um profundo amor pelo enfermo. Amor esse não revelado pela moça.
Mariana, sabedora que Simão e Teresa não estavam conseguindo manter a comunicação, visto que Teresa estava sob rigorosa vigilância, resolve ajudar os amantes.
Mariana vai até o convento com a desculpa de visitar uma amiga. Sua ação é bem sucedida, a filha de João da Cruz consegue falar com Teresa e essa manda um recado a Simão. Nele a jovem fala de sua impossibilidade de escrever a Simão e que ela iria para um convento na cidade do Porto.
Simão ao tomar conhecimento dos fatos, fica furioso e, em um acesso incontido de raiva, decide tentar raptar Teresa de seu fatídico fim no convento. O jovem defronta-se com Baltasar, na tentativa de resgatar a amada. Mesmo diante de várias testemunhas o jovem Simão atinge Baltasar com um tiro mortal.
Em meio à confusão surge João da Cruz que procura dar cobertura a fuga de Simão, contudo esse recusa-se a fugir entregando-se a prisão.
Simão é preso e condenado a morte. Porém, devido à interferência do corregedor Domingos Botelho, pai de Simão, a pena é convertida ao degredo nas Índias.
Em meio a tanta tragédia, Simão ainda preso no Porto, toma conhecimento que seu fiel amigo João da Cruz havia sido assassinado. Mariana, sem ter mais ninguém, resolve acompanhar Simão ao desterro. Essa situação aflora, no coração da jovem Mariana, a esperança de concretizar o seu amor por Simão.
A sentença do desterro sai, Simão é condenado a ficar dez anos na Índia. Enquanto para Mariana o degredo é sinônimo de esperança, para Simão, a Índia é sinônimo de humilhação e miséria.
Teresa começa a ter sua saúde abalada. Definha, cada vez mais triste e muito magoada, a linda fidalga parece ter perdido a vontade de viver. Seu fim aproxima-se, recusa-se a evitá-lo.

Ao embarcar, Simão vê Teresa, que morre de desgosto. Nove dias depois da morte de Teresa, Simão, doente, com febre, acaba por morrer também, e no momento em que lançam o corpo ao mar, Mariana, filha do ferreiro, lança-se ao mar também, pois estando tão apaixonada por Simão, quis acompanhar seu grande amor.
Ironicamente, na água do mar sem fim, bóiam papéis. São cartas de Simão e Teresa.
Da família de Botelho restou apenas o filho de Manoel Joaquim Botelho, CAMILO FERREIRA BOTELHO CASTELO BRANCO, o AUTOR deste romance.
Esse romance foi escrito por Camilo em 15 dias, quando o autor vivia na prisão, condenado pelo adultério com D. Ana Plácido.
Mistura de realidade e fantasia é o que presenciamos. Os dois amantes infelizes não conseguem a felicidade na Terra, transferem suas esperanças para o misterioso Além-Túmulo.
Percebemos nessa grandiosa obra, o conflito entre o amor e os preconceitos, representados na rivalidade das duas famílias. Rivalidade que leva ao desespero, ao crime. Nota-se, também, um grande desabafo do autor que tem a alma sofrida e revoltada, colocado em uma cadeia por adultério. Vida amorosa que se afogou em lágrimas, na infelicidade e na morte. E que nos é apresentada com uma linguagem rica, vibrante e apaixonada.


A Obra

O livro Amor de Perdição é um romance do autor Camilo Castelo Branco. Durante uma vida de 64 anos ele escreveu textos monumentais. Passou por momentos difíceis e transportou para seus livros emoções fortes e contagiantes. Um mundo criado à sua imagem e semelhança. Há sentimento, paixão, cinismo, sarcasmo, ensinamentos morais, emoção, drama, ódio, amor, comédia, blasfêmia, oração. Provoca elogios e críticas. E é nesse meio que surgiu Amor de Perdição.

PERSONAGENS: Simão Botelho, Teresa Albuquerque, Mariana, Baltasar, Domingos Botelho, Tadeu Albuquerque, João da Cruz, Camilo Ferreira Botelho, Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira.

BIOGRAFIA: Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825, na freguesia dos Mártires, num prédio da Rua da Rosa, atualmente com os nºos 5 a 13. Filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, foi batizado na Igreja dos Mártires a 14 de Abril de 1825. Os seus padrinhos foram o dr. José Camilo Ferreira Botelho, de Vila Real, e Nossa Senhora da Conceição.
Camilo foi registado como filho de mãe incógnita, pelo que se diz, porque o seu pai e a sua avó não queriam que o nome Castelo Branco estivesse envolvido com alguém de tão humilde condição. A morte do pai obrigou-o a ir viver para Trás-os-Montes. Como era uma criança sensível e muito inteligente, vai sofrer grandes perturbações com todos os acontecimentos da sua infância. Ao longo da sua existência revelou-se um falhado nos estudos e nos amores. As vicissitudes da vida fazem-lhe despoletar a ideia de que a fatalidade e a desgraça são destinos a que não pode escapar. Foi um profissional das letras multifacetado, cuja obra o posicionou com uma das figuras mais eminentes da literatura portuguesa. Suicidou-se a 1 de Junho de 1890, na freguesia de Ceide, Vila Nova de Famalicão.

Moby Dick (Herman Melville)


A história começa na Costa Leste dos Estados Unidos, em meados do século XIX. O narrador, o marinheiro Ismael, chega à cidade de New Bedford, faz uma escala na sua viagem até Nantucket, um importante porto baleeiro. Ele se hospeda no Spouter Inn, onde conhece Queequeg, um arpoador da Nova Zelândia. Embora Queequeg pareça perigoso, Ismael é obrigado a compartilhar uma cama com ele para passar a noite, e rapidamente se afeiçoa a este arpoador um tanto selvagem. Na realidade, Queequeg era o filho de um Grande Chefe e deixara a sua terra porque desejava aprender mais entre os Cristãos. No dia seguinte, Ismael vai à igreja e ouve um famoso pregador, o Padre Mapple, fazer um sermão sobre Jonas e a baleia, que conclui afirmando que o episódio ensina a pregar a Verdade diante da Falsidade.
Numa escuna para Nantucket, Ismael e Queequeg se encontram com um brutamontes local, que zomba de Queequeg. No entanto, quando este brutamontes é lançado pela borda do barco, Queequeg o salva. Em Nantucket, Queequeg e Ismael escolhem entre três navios para uma viagem de um ano, e decidem-se pelo baleeiro Pequod. Peleg, o capitão do Pequod, está agora aposentado e é apenas o proprietário do navio, associado a Bildad, outro quaker como ele. Peleg fala com eles sobre o novo capitão, Ahab, e imediatamente o descreve como um homem grandioso mas pouco cristão. Pouco antes de embarcarem, Ismael e Queequeg encontram um estranho homem chamado Elias, que prevê desastres para eles durante a viagem.
Os dois embarcam no Pequod, onde o capitão Ahab ainda está oculto, trancado na sua própria cabine. Peleg e Bildad conversam com Starbuck, o primeiro imediato. Ele também é quaker e um nativo de Nantucket, sendo um homem bastante prático. Stubb é o segundo imediato; nascido em Cape Cod, ele tem uma atitude mais descontraída e jovial. O terceiro imediato é Flask, um nativo de Martha's Vineyard que possui uma postura mais combativa. O resto da tripulação é composto principalmente por marinheiros tipicamente americanos, mas há alguns tipos diferentes, tais como os outros arpoadores, o índio Tashtego e o africano Daggoo.
Após vários dias de viagem, Ahab finalmente aparece para a tripulação. Ele é um homem muito rígido e imponente, e possui uma perna artificial feita de marfim retirado de um osso de baleia. Durante sua fala para os tripulantes, Ahab acaba tendo uma altercação violenta com Stubb, que tinha feito uma brincadeira inconveniente às custas do capitão. O segundo imediato é repreendido publicamente e com vigor. Isto faz com que Stubb deseje se vingar, arrancando a perna de marfim do capitão, mas Flask diz a ele que receber tal repreensão de Ahab é um sinal de honra.
Por fim, Ahab diz à tripulação do Pequod para procurar uma enorme baleia branca com um dorso enrugado: Moby Dick, a lendária baleia que tinha arrancado a perna de Ahab. Starbuck diz a Ahab que sua obsessão com Moby Dick é loucura, mas Ahab afirma que todas as coisas são máscaras e existe alguma razão oculta por trás desta máscara que precisa ser desvendada por um Homem. Para Ahab, Moby Dick é esta máscara. O próprio Ahab parece reconhecer sua loucura. Starbuck começa a se preocupar que o navio esteja dominado por um capitão insano e prevê um fim ímpio para Ahab.
Enquanto Queequeg e Ismael trançam um feixe de arpões para amarrar ao seu barco, o Pequod avista uma baleia e Ahab ordena que a tripulação vá para os botes. Ahab também envia sua equipe especial, formada por parses liderados pelo sinistro Fedallah, os quais são comparados a fantasmas por Ismael. Os tripulantes atacam a baleia e Queequeg consegue arpoá-la, mas isso não é suficiente para matá-la.
Depois de passar pelo Cabo da Boa Esperança, o Pequod avista o Goney, outro navio baleeiro em viagem. Quando os barcos passam perto um do outro, Ahab pergunta se eles tinham visto Moby Dick, mas não consegue ouvir a resposta. O simples fato dos navios apenas se cruzarem é algo pouco comum, pois geralmente navios em alto-mar param ao se encontrarem para troca de informações e ajuda mútua. Mais tarde, o Pequod faz uma parada ao encontrar com outro navio, o Town-Ho. Ismael reproduz uma história que ele ouviu dos marinheiros do Town-Ho, falando sobre o quase motim da tripulação e de uma batalha contra Moby Dick.
O Pequod derrota a baleia seguinte que ele encontra, pois Stubb a golpeia com seu arpão. No entanto, quando os marinheiros tentam trazer a baleia para o navio, tubarões atacam a carcaça e Queequeg quase perde a mão ao tentar afugentá-los.
A seguir, o Pequod encontra o Jereboão, um navio de Nantucket atingido por uma epidemia. Mais tarde, Stubb conta uma história sobre o Jereboão e um motim que aconteceu neste navio por causa da presença a bordo de Gabriel, um profeta afetado por tremores. Mayhew, o capitão do Jereboão, alerta Ahab sobre Moby Dick.
Depois de apanhar um cachalote, Stubb também mata uma baleia branca. Embora não esteja na programação do navio, o Pequod persegue uma baleia branca por causa dos bons presságios associados a ter juntas num mesmo barco as cabeças de um cachalote e de uma baleia branca. Stubb e Flask discutem rumores sobre Ahab ter vendido sua alma a Fedallah.
A embarcação seguinte com a qual o Pequod se encontra é o Jungfrau, um navio alemão desesperadamente necessitado de óleo. O Pequod compete com o Jungfrau por uma grande baleia, e consegue arpoá-la. Entretanto, a carcaça da baleia começa a afundar quando o Pequod tenta amarrá-la, e ela é abandonada no mar. A seguir, o Pequod encontra um grande grupo de cachalotes e fere várias delas, mas captura apenas uma.
Stubb prepara um plano para arrancar âmbar-gris de outro navio com o qual o Pequod se encontra, o Rosebud. Stubb avisa aos marinheiros do Rosebud que as baleias que eles tinham capturado eram inúteis e podiam colocar a embarcação em perigo. Quando o Rosebud abandona as baleias, o Pequod as recolhe e a tripulação consegue extrair o precioso âmbar-gris de uma delas.
Vários dias após o encontro com o Rosebud, Pip, um jovem negro, entra em pânico quando seu bote estava caçando uma baleia e se atira no mar, se emaranhando na corda do arpão. Stubb o repreende furiosamente por sua covardia e diz que ele será abandonado no mar se fizer isso novamente. Quando Pip repete seu gesto, Stubb mantém sua palavra e Pip só sobrevive porque um bote próximo o resgata. Como conseqüência do trauma, Pip enlouquece.
O navio seguinte com o qual o Pequod se encontra é uma embarcação britânica chamada Samuel Enderby. Eles têm notícias sobre Moby Dick, mas um dos tripulantes, o Dr. Bunger, previne Ahab a se manter afastado da baleia. Mais tarde, a perna de Ahab se quebra e é necessário que o carpinteiro a conserte. Ahab trata o carpinteiro com desdém. Quando Starbuck descobre que há uma fenda no casco, ele vai até a cabine do capitão para dar a notícia e dar suas sugestões. Ahab discorda da opinião de Starbuck e fica tão enfurecido que chega a apontar um mosquete para ele. Embora Ahab avise a Starbuck que existe apenas um Deus no mundo e um capitão no Pequod, o imediato diz que ele não será um perigo para Ahab, pois Ahab já é um perigo suficiente para si mesmo. Ahab acaba aceitando o conselho dado por Starbuck.
Queequeg fica muito doente com febre e parece estar à beira da morte. Ele pede como último desejo uma canoa para servir como seu ataúde. O carpinteiro mede Queequeg e constrói o seu caixão. No entanto, Queequeg se recupera, afirmando ter desejado sua própria cura. Ele guarda o seu ataúde e o utiliza como uma arca.
Ao atingir o Oceano Pacífico, Ahab ordena que Perth, o ferreiro, forje um arpão para ser usado contra Moby Dick. Perth prepara o arpão, conforme ordenado. Ahab então exige que ele seja temperado com o sangue dos seus arpoadores pagãos, e afirma batizar o arpão em nome do Diabo.
Mais tarde, o Pequod se encontra com o Bachelor, um navio de Nantucket, cujo capitão nega a existência de Moby Dick. No dia seguinte, o Pequod mata quatro baleias e naquela noite Ahab sonha com carros fúnebres. Ele e Fedallah imploram para matar Moby Dick e sobreviver ao combate, e Ahab proclama sua própria imortalidade.
Ahab logo precisa decidir entre uma rota tranqüila, passando pelo Cabo da Boa Esperança e de volta para Nantucket, e uma rota difícil em perseguição a Moby Dick. Ahab tranqüilamente decide continuar sua busca. O Pequod em breve se depara com um tufão na sua viagem pelo Pacífico e, durante a tormenta, a bússola do navio se desmagnetiza. Quando Starbuck sabe disto, ele vai até a cabine do capitão para avisá-lo, e o encontra adormecido. Starbuck pensa se devia ou não atirar no capitão com seu mosquete, mas não consegue se convencer a fazê-lo, especialmente depois que ouve Ahab gritar durante o sono que tinha conseguido arrancar o coração de Moby Dick.
Na manhã seguinte ao tufão, Ahab corrige o problema com a bússola, a despeito do ceticismo da tripulação, e o navio prossegue na sua jornada. Ahab descobre que Pip tinha enlouquecido e oferece sua cabine para o pobre rapaz. O Pequod se encontra com mais um navio, o Rachel, cujo capitão, Gardiner, conhece Ahab. Ele pede a ajuda do Pequod para procurar seu filho, que pode estar perdido no mar, mas Ahab recusa secamente quando descobre que Moby Dick está por perto. O último navio encontrado pelo Pequod é o Delight, um barco que tinha enfrentado recentemente Moby Dick e ficado quase destruído. Antes de finalmente achar Moby Dick, Ahab relembra aquele dia quase quarenta anos atrás quando ele tinha arpoado sua primeira baleia, e lamenta a solidão destes anos no mar. Ele admite ter perseguido sua presa mais como um demônio do que como um homem.
A luta contra Moby Dick dura três dias. No primeiro dia, Ahab avista pessoalmente a baleia, e os botes remam na direção dela. Moby Dick ataca e afunda o bote de Ahab, mas ele sobrevive ao ataque e é recolhido pelo bote de Stubb. Apesar dessa tentativa fracassada em derrotar a baleia, Ahab a persegue novamente no dia seguinte.
No segundo dia, acontece uma nova derrota, muito semelhante à anterior. Desta vez, Moby Dick quebra a perna de marfim de Ahab, enquanto Fedallah morre afogado ao ser preso pela linha do arpão e arrastado para o mar. Depois deste segundo ataque, Starbuck critica Ahab, dizendo a ele que sua perseguição é ímpia e ofensiva a Deus. Ahab declara que o combate entre ele e Moby Dick está imutavelmente decretado, e a atacará novamente no dia seguinte.
No terceiro dia do ataque a Moby Dick, Starbuck entra em pânico por ceder às exigências de Ahab, enquanto este diz que alguns navios saem dos seus portos e jamais retornam, aparentemente admitindo a futilidade da sua obsessão. Quando Ahab e sua tripulação chegam até Moby Dick, Ahab finalmente acerta a baleia com o seu arpão, mas ela novamente vira o bote de Ahab. A baleia investe furiosamente contra o Pequod, que é duramente golpeado e começa a afundar. Num ato aparentemente suicida, Ahab lança seu arpão em Moby Dick, mas fica emaranhado na linha e mergulha no oceano com ela.
Somente Ismael sobrevive ao ataque; ele estava num dos botes destruídos e consegue se agarrar ao caixão de Queequeg. Ele acaba sendo resgatado pelo Rachel, cujo capitão continuava a buscar pelo seu filho desaparecido, apenas para achar um outro órfão.
Moby Dick é um romance do autor americano Herman Melville. O nome da obra é o do cachalote enfurecido, de cor branca, que havendo sido ferido várias vezes por baleeiros, conseguiu destrui-los todos. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia em Londres em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral. O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador - Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça às mesmas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.





O Feijão e o Sonho (Orígenes Lessa)


A obra publicado em 1938, O Feijão e o Sonho caiu no agrado da crítica e do público exatamente por desenvolver uma temática tão a gosto do caráter romântico do brasileiro médio. A trama gira em torno de Campos Lara, poeta que vive a embalar o sonho da criação literária, alheio aos aspectos práticos da luta pela sobrevivência. Casado com Maria Rosa, a relação é um desajuste só. Campos Lara sonhando, escrevendo, poetando; Maria Rosa batalhando, preocupando-se e, principalmente, azucrinando a vida do irresponsável marido. Os rendimentos conseguidos pelo poeta, dando aulas ou escrevendo para os jornais são extremamente escassos e insuficientes para fazer frente às despesas da família. Os credores não dão sossego; o senhorio cobra os aluguéis atrasados; o dono da farmácia deixa de fornecer medicamentos para a filharada adoentada; a alimentação é pouca e de má qualidade: a vida é um inferno. A todo esse desacerto, Campos Lara não dá a mínima atenção. Sua cabeça, povoada de versos e de orgulho intelectual não desce do limbo em que se encontra para encarar problemas triviais de manutenção familiar. Seus mirabolantes projetos literários enchem sua vida e seu tempo. Pula de emprego em emprego, vê seus alunos escaparem e os que permanecem são os que não podem pagar. Maria Rosa luta desesperadamente contra a miséria e o infortúnio.
Ao final, com a situação financeira mitigada, mas não de todo regularizada, Campos Lara e Maria Rosa ajustam-se e sonham com o futuro do filho caçula. Será advogado... engenheiro... até que Campos Lara descobre que seu filho será, como ele, poeta... E isso o enche de orgulho, esquecendo todo o drama e o sofrimento que palmilhou durante toda uma existência, exatamente por dedicar-se à poesia, uma atividade sem qualquer compensação financeira, num país de analfabetos. E assim termina o livro, com seu filho lhe perguntando sobre o que achou do seu poema. Campos Lara fica pensativo, entre o feijão e o sonho, sem saber o que dizer...

Análise Crítica
O texto, como bem sugere o título, sustenta-se sobre duas linhas básicas: o feijão é o lado prático da vida. A necessidade de o indivíduo prover o próprio sustento e o da família. A luta pela sobrevivência que se desenvolve em cada momento da trajetória do homem pela vida afora. O sonho é a fantasia, a quimera que cada um tem dentro de si. A aspiração de grandeza, de desligamento dessa realidade tão dura e desagradável. As duas linhas formam a grande antítese alicerçadora da vida. Os que se fixam no feijão tornam-se amargos, desagradáveis, agressivos. A obsessão pelo lado prático da existência impede-os de tomar uma atitude carinhosa, compreensiva, aconchegante diante daqueles que deles se aproximam. Os adeptos do sonho perdem o senso da realidade e tornam-se desajustados em um mundo excessivamente materialista. São criticados, espezinhados, humilhados e sua vida é um rosário de sofrimentos e de dor. Pela data da publicação — 1938 — quando o autor contava apenas 35 anos, o livro não é, evidentemente, autobiográfico. Entretanto sua trama conduz para fatos sobejamente conhecidos com inúmeros artistas de todas as áreas. Orígenes Lessa não inovou em nada, mas apenas deu forma literária a uma história sobejamente conhecida e repetida desde sempre: o artista sonhador, pobre e incompreendido; a mulher que o impele à luta e o obriga a encarar o lado prático da vida. Nenhuma novidade... O grande mérito está no despojamento da linguagem; na trama simples; na sugestão de que se podem encontrar significados profundos em atitudes aparentemente superficiais dos personagens; no processo de iniciação do jovem leitor nos caminhos do consumo da literatura; na exploração inteligente do idealismo tão próprio da juventude ainda não batida pelo tempo e pela desilusão.