domingo, 18 de novembro de 2012

As Pupilas do Senhor Reitor (Júlio Dinis)

Narrativa romanceada tipicamente aldeã da terceira geração romântica engloba dois pólos significativos para o desenvolvimento da história: as irmãs Clara e Margarida e os irmãos Daniel e Pedro das Dornas tendo como intermediário o Senhor Reitor. A narrativa se passa em uma aldeia e conta a história de amor de Margarida e Daniel e Clara e Pedro. Possui um fundo sarcástico e um pouco irônico, introduzindo já o realismo em Portugal, mas sem deixar de lado a forte influência do romantismo na Europa. Contudo, esse realismo pode ser observado por meio do caráter das personagens. Daniel, ainda menino, prepara-se para ingressar no seminário, mas o reitor descobre seu inocente namoro com a pastorinha Margarida (Guida). O pai, José das Dornas, decide, então, enviá-lo ao Porto para estudar medicina. Dez anos depois Daniel volta para a aldeia, como médico homeopata. Margarida, agora professora de crianças, conserva ainda seu amor pelo rapaz. Ele, no entanto, contaminado pelos costumes da cidade torna-se um namorador impulsivo e inconstante, e já nem se lembra da pequena pastora. A esse tempo, Pedro, irmão de Daniel, está noivo de Clara, irmã de Margarida. O jovem médico encanta-se de Clara, iniciando uma tentativa de conquista que poria em risco a harmonia familiar. Clara, inicialmente, incentiva os arroubos do rapaz, mas recua ao perceber a gravidade das conseqüências. Ansiosa por acabar com impertinente assédio concede-lhe uma entrevista no jardim de sua casa. Esse encontro é o ponto culminante da narrativa: surpreendidos por Pedro, são salvos por Margarida, que toma o lugar da irmã. Daniel tornando-se doutor, ignora todo o conhecimento e a experiência de João Semana, médico da aldeia, e passa a aceitar e compreender todo o mecanismo de uso dos conhecimentos medicinais em meio à uma aldeia, um local que acredita em muitos mitos ainda e em muitas formas de se curar ainda. Pedro, irmão mais velho de Daniel, é um trabalhador do campo e luta para defender as terras de seu pai que são herança suas e de seu irmão. Clara é filha do segundo casamento do pai de Margarida com sua mãe. Por isso, sempre foi mimada até que sua mãe morre. Na morte dela, Clara passa a trabalhar também para ajudar no sustento da casa, justamente por ser orgulhosa. Já Margarida demonstra a tristeza de ter perdido o pai e a mãe desde criança e encontra em Daniel um apoio e um namorado. Diferente de Clara, Margarida pensa muito em fazer as coisas e pensa também nas pessoas, inclusive no seu professor na hora da morte dele, pedindo à Daniel que o ajudasse. Margarida é pura emoção; Clara é pura razão. Num cenário povoado de tipos humanos cuja bondade só é maculada pelo moralismo quase ingênuo de comadres fofoqueiras, desenrola-se esse drama amoroso. Rapidamente esses acontecimentos tornam-se um grande escândalo que compromete a reputação de Margarida. Daniel, impressionado com a abnegação da moça, recorda-se, finalmente, do amor da infância. Apaixonado agora por Guida (a menina Margarida), procura conquistá-la. No último capítulo, depois de muita resistência e de muito sofrimento, Margarida aceita o amor de Daniel. Obs: O autor coloca em cheque a diferença social que existe entre um irmão e outro e a preferência do Senhor José das Dornas explícita pelo filho mais novo. É a realidade sendo colocada às claras já no final da terceira geração romântica sem perder o romantismo. A veracidade dos fatos começa a ser transferida para os livros, mas de uma forma que não venha a chocar o leitor.

Núcleo principal:

O que foi falado acima é o núcleo principal. Com ele surgem outros núcleos como os amigos de Pedro, a taberna, etc. A chegada de um noviço faz com que Daniel sinta, após anos de estudos, ciúme de Margarida. Margarida sabendo do encontro de sua irmã com Daniel foi no lugar do encontro para salvar a sua honra. No final tudo se esclarece e Pedro perdoa Clara e Daniel se arrepende de ter se esquecido de Margarida e da promessa que fez ao ir estudar na capital da província (quando eram mais novos), que era de nunca se esquecer dela e se guardar para ela. 

Personagens Principais:

Senhor Reitor: tornou-se tutor de duas jovens órfãs, a quem muito estimava, e lhes valeu como pai, conselheiro e professor: Clara e Margarida. Clara: “Clara possuía um gênio, com o qual se não davam as apreensões. Não calculava conseqüências. A vida era o presente. (...) A sua confiança em tudo chegava a ser perigosa. Um inesgotável fundo de generosidade, elementos principal daquele caráter simpático.” Margarida: “De caráter triste e sombrio, que é traço indelével que fica de uma infância, à qual se sufocaram as naturais expansões e folguedos, em que precisa transbordar a vida exuberante e bela.” Daniel: Amigo de infância de Margarida, filho do abastado José das Dornas, também pai de Pedro. Margarida afeiçoara-se a Daniel. Daniel tem constituição física frágil, o que leva o pai a direcioná-lo para o sacerdócio por meio do Reitor. Como Daniel aos treze anos confessa que não tem vocação para a carreira religiosa, o Reitor convence o pai a enviá-lo ao Porto para estudar medicina e ser doutor. Pedro: irmão de Daniel se noiva de Clara. Dr. João Semana: médico octogenário de idéias limitadas e ultrapassadas. João da Esquina: comerciante boçal atento a intrigas e brigas locais, representante do meio mesquinho e pequeno. Velho Mestre: velho filósofo que se instalara na vila para procurar paz na vida do campo e preparar-se para morrer. O velho servia de mestre a Margarida, criando amizade com a moça, que muito aprendia com o filósofo.

Meu Pé de Laranja Lima (José Mauro de Vasconcelos)


Zezé era um garoto que tinha 6 anos (ou 5 mas gostava de dizer que ele tinha seis). Ele vivia em uma casa de tamanho médio. Seu pai se chamava Paulo e estava desempregado. Sua mãe, por causa de seu marido desempregado trabalhava até tarde numa fábrica. Tinha mais três irmãos: Totoca, Jandira e Glória.
Por causa do desemprego de seu pai, eles foram obrigados a mudar para uma casa menor, onde o garoto conheceu Minguinho, seu pé de laranja lima, que fica sendo seu melhor e único amigo.
Como o moleque sempre foi muito arteiro recebeu muitas palmadas e era surrado constantemente apesar de que as vezes não tinha culpa do que acontecia.
O garoto tinha cinco anos, aprendeu a ler e por isso foi a escola mais cedo. Lá ele era um garoto muito comportado e gostava muito da professora Célia Paím, a qual, levava flores todos os dias, e apesar de contarem a ela o diabinho que ele era ela não acreditava.
Um dia o garoto foi pegar uma carona do lado de fora do carro, mas o carro era de um português chamado Manuel Valandarez, que tinha o carro mais bonito da cidade. O português viu isto e lhe deu uma surra que o garoto jurou se vingar.
Mas o tempo foi passando e o garoto ia se esquecendo. Um dia ele pisou num caco de vidro que abriu um corte, mas mesmo assim o garoto ficou decidido de ir para a escola.
Enquanto atravessava uma rua o português viu o garoto e pediu para ver o corte. Vendo aquele corte enorme ele levou o garoto de carro até o hospital, e fizeram muitos ponto nele.
Desde então eles ficaram muito amigos e o português foi lhe tratando como um filho, sempre muito carinhoso. Foram até pescar algumas vezes e passavam a tarde toda juntos. Outras vezes iam tomar sorvete e fazer outras coisas. Outra vez o português deixou o menino andar de carona em seu carro. O português o convenceu até de não falar mais palavrões.
Eles eram muito amigos até que ele recebeu a notícia que o carro do português foi esmagado por um trem, o português não resistiu e morreu.
O garoto entrou numa depressão profunda, e como a família desconhecia a sua amizade com o português, eles acharam que foi a notícia que seu pé de laranja lima seria cortado.
O garoto permaneceu dias comendo pouco, sem falar, deitado em sua cama e querendo morrer. Mas com as palavras de Glória, sua irmã preferida, ele conseguiu retornar a sua vida normal.