segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Noites Brancas (Fiódor Dostoiévsky)


Primeiramente, em termos de curiosidade, a expressão “Noite Branca” refere-se ao fenômeno climático comum na Rússia e no Leste Europeu, onde o sol não se põe em nenhuma hora do dia fazendo com que as noites fiquem brancas, e realmente, para quem lê o livro, o ambiente em que essa história se passa parece esbranquiçado, claro, um pouco vazio e solitário. Outra observação é de que “O Sonhador” se refere ao narrador que é também o personagem central dessa história. E por último esclarecer que essa obra é do romantismo, e sendo assim não se assustem com o final nada atípico, já que o amor impossível é uma característica desse fenômeno literário. 

Noites Brancas é um livro escrito pelo russo Fiódor Dostoiévsky em 1848, escrito antes de sua prisão. Talvez por isso é uma obra que traz mais sensibilidade. 

Para que possamos entender essa obra de Dostoievsky precisamos saber que esse escritor não foi um romancista do nada, a vida fez com que ele se identificasse com esse tipo de trabalho, que ele sempre teve uma vida sofrida: perdeu a mãe ainda pequeno, sua esposa e seu irmão morreram no mesmo ano e depois de sair da prisão sofreu de paranóia, do vício do jogo, do alcoolismo e da pobreza. Pelo que parece a melancolia presente, nessa e em outras obras, é por causa de sua vida, que não foi uma das melhores.

Nessa história, que é dividida em cinco capítulos: Primeira Noite, Segunda Noite, Terceira Noite, Quarta Noite, Manhã, o nosso personagem principal é o Sonhador, como ele mesmo se denomina. Ele narra à história fazendo parecer tudo muito real, os sentimentos são evidenciados de maneira plausível. Ainda como personagem temos a cidade de São Petersburgo; parece um pouco estranho ter a cidade como personagem, porém isso evidencia mais uma vez a solitude melancólica em que nosso Sonhador vive, até porque ele demonstra ser um grande conhecedor da cidade. 

O livro narra as longas caminhadas do Sonhador pelas ruas de Petersburgo, momentos em que observa as pessoas, suas vidas e tenta afastar a solidão de sua existência. O Sonhador sente um vazio tão profundo que chega a ser divertida a forma como se relaciona com "as coisas" que encontra pelo caminho. É sério... observando casas, rios, transeuntes ele faz deles seus "amigos".

Foi numa dessas caminhadas que o Sonhador encontrou a desiludida Nastássia. Seu choro chamou-lhe à atenção. Aproximaram-se. Durante as quatro noites seguintes eles se encontraram neste mesmo lugar e trocaram confidências, suas vidas, seus amores, seus anseios... São um encontro de almas. A cumplicidade entre os dois cresce gradativamente. 

Nesse período o Sonhador começa a contar a sua história, expondo apenas seus devaneios, pois considera que não tem história, sempre se ridiculariza. 

Nastássia se impressiona com sua solitude e, por pena, dá seu voto de confiança a ele. E ela começa a contar sua história: ela também, como o Sonhador, demonstra ter muitos sonhos e ser uma pessoa sozinha. Sua avó a prendera junto da sua saia com alfinetes. Ela vivia junta ao mesmo vestido da avó, que por ser cega queria ter mais controle sobre a neta. Porém Nastássia havia se relacionado com um “homem” que fora inquilino de sua avó e por questões trabalhistas ele se mudara de cidade prometendo voltar dali a um ano para aquela que havia roubado o seu coração. 

Nesse momento Nastássia se emociona alegando que aquele era o dia exato em que ele tinha partido a um ano atrás. Então o Sonhador consola-a e se compromete a mandar uma carta a esse homem pedindo satisfações, uma vez que era hábil com as palavras. Os dois se comprometem a se reencontrar na noite seguinte. 

Na terceira noite Nastássia chega muito alegre, agradecendo ao Sonhador por não ter se apaixonado por ela – o que não era verdade, o Sonhador já sofria de amores por ela -! 

Em certo momento Nastássia começa a chorar dizendo que o homem por quem se apaixonara não iria voltar, porém o Sonhador a consola e fala que ainda não dera tempo da carta chegar. Nastássia muito comovida agradece o Sonhador e diz : “Por que ele não é o senhor? Por que ele não é como o senhor? Ele é pior do que o senhor, embora eu o ame mais do que a si.” De novo os dois se comprometem em se encontrar novamente na noite seguinte. 

Na quarta e última noite o Sonhador decide se declarar a Nastássia. Ela, então, comovida e sem esperanças de que sua verdadeira paixão volte diz querer se entregar ao Sonhador. Em alguns momentos dessa noite os dois riram, choravam, andaram juntos com um tom de felicidade estampado no rosto, porém tudo isso é interrompido... por aquele homem que havia prometido voltar, e voltou!

Nastássia saiu em disparada aos braços desse homem. Mas, ela, um pouco ressentida vira-se ao Sonhador e em forma de agradecimento por tudo o envolve em seus braços e lhe aplica um beijo intenso e caloroso. Depois, sem dizer uma palavra ela volta aos braços do seu amor, que a leva consigo.

Pela manhã do dia seguinte, o Sonhador recebe uma carta de agradecimento e pedido de desculpas de Nastássia. 

Então o Sonhador volta a sua postura emblemática de melancolia e se vê em casa, na mesma casa, com a velha Matriôna quinze anos mais tarde. “Meu Deus! Um momento inteiro de júbilo! Não será isto o bastante para uma vida inteira?...”