sábado, 29 de março de 2014

Til (José de Alencar)


Besita, moça pobre, porém das mais belas da região, é objeto de desejo tanto de Luis Galvão, jovem fazendeiro, quanto de Jão, um órfão que foi criado junto com Luis Galvão. A moça corresponde ao amor do rico fazendeiro, mas este não tem interesse em desposar Besita, pois ela é pobre. 

Influenciada por seu pai, Besita acaba casando-se com Ribeiro. Esse, logo após a noite de núpcias, parte em viagem para resolver problemas relacionados a uma herança de família e fica anos afastado. Durante o período em que Ribeiro não se encontra pela região, Luis procura Besita, que o recebe achando tratar-se de seu marido. Desse encontro nasce Berta. 

Uma tarde, Ribeiro retorna e, ao encontrar sua esposa com uma filha, descontrola-se e assassina Besita. Jão não consegue evitar a morte dela, mas consegue salvar Berta, que passa a viver com nhá Tudinha e seu filho Miguel. Zana, uma negra que vivia com Besita, enlouquece após presenciar o assassinato desta. Jão torna-se capanga dos ricos da região, cometendo várias mortes e tornando-se o temido o Jão Fera. 

Quinze anos depois de assassinar sua esposa, Ribeiro retorna irreconhecível e com o nome de Barroso. Com o propósito de vingar-se de Luis Galvão, ele contrata Jão Fera, que não o reconhece. Porém, Berta descobre os intentos de Ribeiro e consegue salvar Luis. 

Em uma segunda tentativa, dessa vez com a ajuda de alguns escravos da Fazenda das Palmas, Ribeiro incendeia o canavial. Ao tentar apagar o fogo sozinho, Luis leva uma pancada na cabeça. Quando está para ser lançado ao canavial em chamas, Luis é salvo por Jão, que mata os responsáveis pelo incêndio, com exceção de Ribeiro. 

Após isso, Jão Fera é preso em Campinas. Sabendo da ausência desse, Ribeiro planeja uma outra vingança, dessa vez contra Berta. Aproxima-se dela, que está com Zana, mas nesse momento chega Jão (que tinha se libertado) e mata Ribeiro de forma violenta. Brás, sobrinho de Luis, com problemas mentais, leva Berta para ver a cena. Ela foge horrorizada e Jão, sabendo que a moça o desprezava a partir de então, entrega-se a polícia. 

Convém neste ponto relatar a relação entre Brás e Berta. O jovem Brás possui problemas mentais e é completamente excluído em sua família. Apesar de Brás ser apaixonado por Berta, ela não pode corresponder aos sentimentos do rapaz, resolvendo então ensinar o abecedário e rezas a ele. Porém, o menino tem grandes dificuldades em aprender, tendo apenas decorado o acento "til", que o encantava. Para facilitar o aprendizado, Berta se autonomeia Til e passa a ensinar Brás relacionando cada coisa com nomes de pessoas que ele conhecia. 

Em certo momento, Luis decide contar toda a verdade para sua esposa, D. Ermelinda. Em um primeiro momento ela se entristece, mas depois passa a apoiar o marido e decide que ele deve reconhecer Berta como filha. Dessa forma, os dois a procuram e contam tudo, omitindo as partes desagradáveis. 

Jão foge mais uma vez da prisão e vai procurar Berta. Desconfiada que Luis Galvão e sua esposa escondem algo, ela implora a Jão que conte toda a verdade sobre a história de sua mãe Besita, o que Jão faz. Berta se emociona com a história e abraça Jão, dizendo que ele sempre cuidou dela, sendo, então, seu pai. 

Luis Galvão pede que Berta vá morar com ele, mas ela nega e pede que ele leve Miguel, o filho de nhá Tudinha. Todos partem e Berta fica na fazenda com Jão Fera e Brás. 

Lista de Personagens: 

As personagens de Til são arquétipos da sociedade brasileira do século XIX: os escravos, os aristocratas, o povo pobre. A sociedade da época estava estruturada basicamente em duas camadas sociais: de um lado os aristocratas, grandes latifundiários e escravocratas, e de outro lado estavam os escravos e a gente humilde do campo. Tanto na região rural, onde se passa o romance, quanto nas grandes cidades quase não há classe média. 

Berta, Inhá ou Til: personagem central do livro, Berta, filha do fazendeiro Luis Galvão com Besita, é a representação típica da heroína romântica. Após a morte de sua mãe, passa a viver com nhá Tudinha e seu filho Miguel. Muito bonita e graciosa, atrai o carinho e o amor de todos, tendo contato inclusive com as pessoas mais desprezadas da região. Berta é personagem central e exerce grande influência sobre todas as outras personagens do livro. 

Miguel: filho de nhá Tudinha, mostra-se apaixonado por sua irmã de criação, Berta (ou Inhá, como ele a chama). Por ser pobre, Miguel busca estudar para ascender socialmente e poder se casar com Linda. Luis Galvão: dono da Fazenda das Palmas. Homem de muitas aventuras amorosas desde a juventude, é sempre protegido por seu "capanga" João Fera. 

Linda: é filha de Luis Galvão e D. Ermelinda. Educada aos moldes da corte, mas amiga de Berta e Miguel, jovens de camada social inferior. 

Afonso: irmão de Linda. Possui o mesmo espírito conquistador de seu pai e acaba se apaixonando por Berta, sem saber que esta é sua irmã de sangue. 

Jão Fera ou Bugre: capanga dos ricos da região, é um homem temido. Sem conseguir salvar Besita, por quem era apaixonado, passa a proteger Berta após a morte de sua mãe. 

Brás: sobrinho de Luis Galvão que sofria de ataques epiléticos e era débil mental. Era apaixonado por Berta (ele a chama de Til), que lhe ensinava o abecedário e rezas. 

Zana: negra que trabalhava para Besita e que enlouquecera após presenciar o assassinato de Besita. 

Ribeiro ou Barroso: marido de Besita. Logo após a noite de núpcias, parte para longe e fica anos afastado. Ao voltar e encontrar a esposa com uma filha, planeja vingança e assassina Besita. Promete vingar-se de Luis Galvão e Berta. 

D. Ermelinda: elegante esposa de Luis Galvão.

terça-feira, 18 de março de 2014

(Doze) - 12 anos de escravidão (Solomon Northup)


A obra 12 Anos de Escravidão retrata a história de Solomon Northup, um homem negro nascido livre e que por mais de trinta anos desfrutou das bênçãos da liberdade nos Estados Unidos em pleno regime escravagista, e que ao término deste período, tendo recebido uma falsa proposta de trabalho, foi sequestrado, drogado e comercializado como escravo na região do Rio Vermelho, no estado de Louisiana, onde permaneceu por longínquos 12 anos. Foi um período sombrio na história dos Estados Unidos e, mesmo após sua libertação, a abolição total da escravatura só viria ocorrer dez anos depois, em 1863, por meio da pena do presidente Abraham Lincoln. 

O livro conta toda jornada de servidão de Solomon, com relatos de sua vida e dos acasos que a pontuaram. De forma dramática e angustiante, o protagonista discorre seu dia-a-dia, o drama travado na pele e guardado na memória, sobre um cativeiro, passando por diversos senhores, e sofrendo os mais horríveis e desumanos açoites e castigos aplicados. Apesar de tudo, por todo este tempo, ele não perdeu a esperança e aguentou firme até ser resgatado. 

A obra discorre sobre a crua realidade a que estes seres humanos eram submetidos, e isto ocorre já em uma época em que os abolicionistas lutavam arduamente pelos direitos dos escravos. Mas ainda em alguns estados era comum ver cidadãos sendo levados e escravizados às vezes até por toda vida. 

Em uma escrita simples e ágil, são retratados os registros excepcionalmente vívidos e detalhados da vida de um escravo, uma narrativa que conta o período muito difícil para a população negra dos Estados Unidos, detalhes históricos, perigos e horrores da escravidão, e como o bravo, culto e inteligente Solomon Northup, após seu resgate, resolve nos presentear com sua perspectiva de ter feito parte das duas vertentes: a de um homem livre, e também como um escravo. 

E para compreeender completamente as memórias de Solomon Northup, o livro nos mostra uma peça inestimável da história: o abolicionista canadense Avery Bass, que foi peça fundamental para a libertação de Solomon em janeiro de 1853. A obra faz tanto sucesso desde que foi publicada pela primeira vez em 1854, que finalmente recebeu uma adaptação cinematográfica, com estréia prevista no Brasil para 21 de fevereiro, com distribuição da Disney Filmes, concorre ao Oscar em 9 categorias e recentemente ganhador do Globo de Ouro na categoria melhor drama.

Vestido de Noiva (Nelson Rodrigues)


A peça "Vestido de Noiva" tem, em seu cenário, três planos que se intercalam: o plano da alucinação, o plano da realidade e o plano da memória. 

Alaíde, moça rica da sociedade carioca, é atropelada numa das noites do Rio. No plano da realidade, jornalistas correm para se informar e publicar em seus jornais o fato, enquanto médicos correm para salvar o corpo inerte da mulher, jogada numa mesa de operação entre a vida e a morte. No plano da alucinação, Alaíde procura por uma mulher chamada Madame Clessi, sua heroína, que foi assassinada no início do século, vestida de noiva, pelo seu namorado. 

As duas se encontram e conversam. Um homem acusa Alaíde de assassina, e ela revela a Madame Clessi que assassinou o marido Pedro com um ferro após uma discussão (o plano da memória reconstitui a cena). Mais tarde, ambas percebem que o assassinato de Pedro não passou de um sonho de Alaíde. Enquanto os médicos tentam quase o impossível para salvá-la da morte no plano da realidade, Alaíde e Madame Clessi conversam no plano da alucinação, tentando se lembrar do dia do casamento da primeira, e de duas mulheres que estavam presentes enquanto Alaíde se preparava para a cerimônia: a mulher de véu e uma moça chamada Lúcia. 

Ambas são, na verdade, a mesma pessoa: a irmã de Alaíde, que reclama o fato desta ter lhe roubado o namorado. Segue-se uma série de intercalações entre os planos: no plano da realidade, o trabalho dos médicos para reanimar Alaíde, e dos jornalistas querendo informações sobre a tragédia do atropelamento. Nos planos da alucinação e da memória, a história de Madame Clessi, com seu namoro com um jovem rapaz e sua morte, se funde com a de Alaíde no dia do casamento com Pedro. 

Segue-se a discussão com Lúcia minutos antes da cerimônia, que a acusa violentamente de ter lhe roubado o noivo. O casamento acontece, e Alaíde se vê vítima de uma conspiração entre Lúcia e Pedro, que pretendem matá-la para ficarem juntos. No plano da realidade, Alaíde morre na mesa de operação. Enquanto Alaíde assiste com Madame Clessi cenas de seu enterro e de sua discussão com Lúcia momentos antes do atropelamento, quando jura que mesmo morta não a deixaria ficar com Pedro. Lúcia, no entanto, casa-se com Pedro, mesmo tendo em sua mente a imagem de Alaíde com seu vestido de noiva.