domingo, 29 de junho de 2014

(Um) 1 Litro de Lágrimas ( Aya Kito)


1 Litro de Lágrimas é uma história baseada em fatos reais que conta a vida de uma menina que viveu no Japão, chamada Aya. 

Aya com 14-15 anos teve uma doença chamada Degeneração Espinocerebelar, uma doença incurável e muito cruel que faz com que a pessoa gradualmente vá perdendo os movimentos do corpo. Esta doença afeta a medula espinhal, o cerebelo e o tronco encefálico da pessoa; deteriora o cérebro gradualmente até a perda dos movimentos, como não poder andar, falar, comer, escrever. 

A história foi baseada no diário de Aya Kito (19 de Julho de 1962 - 23 de Maio de 1988). O livro que surgiu mais tarde intitulado "1 litro de Lágrimas" vendeu mais de 1,8 milhão cópias. Falando nesse drama o mangá 1 Litro de Lágrimas foi publicado aqui no Brasil pela editora NewPop. 

Aya, durante todo o período da doença, começou a escrever um diário contando tudo o que sentia em relação a tudo pelo qual passava, seus medos, suas frustrações, o conforto e o amor recebido pela família e os amigos, mas também haveria outros olhares sem coração... 

A história da Aya nos toca profundamente e nos traz uma lição de vida muito importante, além de que nos faz perceber também que os nossos problemas do dia a dia não são absolutamente nada comparado ao drama da vida de Aya. 

O drama é muito bem produzido, as cenas são emocionantes e os atores se entregam de corpo e alma aos seus personagens. Além disso, no final de cada episódio há trechos do verdadeiro diário de Aya, cujos trechos do diário mostrado em fotos são citados nas cenas do drama. Também, as fotos da verdadeira Aya no final de cada episódio são de tocar o nosso coração e percebemos que somos muito prestigiados por sermos sadios. 

A menina Aya, mesmo tendo sofrido muito por 10 anos desde quando descobriu a doença até o último dia de sua vida, sempre manteve um sorriso no rosto e conseguiu mudar o modo de pensar de muita gente. 

O livro também é um romance do drama entre Aya e Asou-kun. Todo o relacionamento deles foi incrível, muito puro e cheio de amizade. O sentimento deles foi bonito, entre muitas lágrimas e carinho, mas com a dor de ter a certeza que esse amor só ficaria mesmo nos sonhos. 

Até onde sabemos, não existiu na realidade um “Asou” na vida dela, pelo menos não da forma como retratada no drama. 

Suas últimas palavras em seu diário real foram: “O fato de eu estar viva é uma coisa tão encantadora e maravilhosa que me faz querer viver mais e mais”. "A vida é simples, basta vc querer amá-la mais".

Divergente, Insurgente, Convergente (Veronica Roth)


Divergente 

Tudo começa com Chicago no futuro, onde a cidade foi dividida em 5 facções: Abnegação, Audácia, Erudição, Amizade e Franqueza. 

A história se passa em um futuro pós apocalíptico, numa cidade, onde as pessoas estão divididas em cinco facções e o que define a facção que cada um pertencente é a virtude que prevalece na pessoa. A Abnegação é para aqueles que priorizam a vontade do próximo, para os altruístas; Amizade, para os que praticam a bondade, o perdão e procuram a paz; Audácia, para os corajosos e destemidos; Erudição, para sábios, inteligentes e curiosos; Franqueza, para pessoas sinceras e imparciais. Existe também os sem-facção, que são aqueles que não se encaixam em nenhuma das facções existentes. Cada facção acreditava em motivos diferentes que levaram ao "fim do mundo", a Abnegação, culpa o egoísmo, a Amizade culpa a guerra, a Erudição a ignorância, a Franqueza, a desonestidade e a Audácia, a covardia. 

Beatrice "Tris" Prior completa 16 anos e, como todos os outros jovens da sua idade, ela tem que passar por um teste de aptidão, que dirá a qual facção ela pertence. Mas o que acontece quando o resultado do teste é inconclusivo? 

No início do livro, vemos como é a vida de Tris antes do teste de aptidão e conhecemos um pouquinho da sua facção de origem. Após fazer o seu teste, Tris descobre que é Divergente, ou seja, tem aptidão para mais de uma facção, mas ela tem guardar esse segredo, pois ele pode custar a sua vida. Além de lidar com essa descoberta, ela ainda tem que escolher em qual facção passará o resto da sua vida - uma escolha nada fácil. Nós vemos sua vida, que antes era pacata, se transformar em uma aventura diária. 

Além de Tris, outro personagem com grande destaque é Quatro, um rapaz misterioso. Vale mencionar também Christina, Will e Tori. Há algumas cenas românticas, mas esse não é o foco da história. 

É uma trama incrível, onde é apresentado essa nova sociedade futurista, num mundo distópico. Cheia de segredos,e mistérios, Verônica conseguiu construir uma ótima história. 


Insurgente 

Um livro de distopia incrível. Mistura ficção científica com romance e drama. 

No primeiro livro temos a guerra entre as facções, muita gente morre, amigos e familiares de Tris. Depois dessas mortes ela não é mais a mesma. Ela acorda muita vezes tendo pesadelos com essas mortes que ao longo do livro atormentam a vida dela, a ponto dela não conseguir nem pegar em uma arma para se defender. 

Insurgente começa onde Divergente termina, sem mais! Após a guerra, Tris, Tobias e seus companheiros vão se refugiar no complexo da Amizade. Lá eles encontram abrigo, apoio e um sistema igualitário, que eles sabem muito bem que não vão poder ficar lá por muito tempo. 

O primeiro livro focou muito nas facções da Audácia, Abnegação e Erudição. Neste temos uma maior participação da Amizade, Franqueza e também dos Sem-Facção. Após os acontecimentos bombásticos do final de Divergente, Insurgente inicia com um ar de dúvidas e confusão. A cidade está dividida, as facções em conflito, e as lealdades são postas a prova. 

E no meio ao caos, surge uma nova questão. A existência de um segredo, uma verdade tão perturbadora a respeito da história da cidade e do mundo exterior, que teria sido o real motivo de tudo que aconteceu no final do primeiro livro. Porém, a fonte dessa informação não é a pessoa mais confiável do mundo, e Tris tem que decidir em quem confiar, se deve ou não seguir seus instintos na busca dessa verdade, e pesar as consequências possíveis, caso esteja sendo enganada, e não exista segredo algum. 

Então Tris se vê em um dilema quando descobre que uma das facções detêm um misterioso segredo que pode colocar em risco o futuro de todas as outras facções. Sem pausa para relaxar, Tris e amigos precisam decidir, e eles não possuem muito tempo para isto, se seguem seus corações e fidelidade à suas facções ou renegam suas crenças e buscam descobrir a verdade. 


Convergente 

Desde o primeiro livro nos acostumamos à narração de Tris, porém no último livro entra em cena um novo narrador e eles dividem os capítulos, mesclando as narrativas. 
Convergente dá continuidade à grande revelação feito no final de Insurgente: há um mundo lá fora, e os Divergentes precisam sair para encontrá-lo. Porém, a líder do sem-facção, Evelyn Johnson, não se importa. Ela quer apenas destruir o sistema de facções e manter todos naquela cidade, usando autoritarismo e julgando cada pessoa por traição. 

Em meio à esse novo sistema, há um grupo de pessoas, os Leais, que desejam voltar ao sistema de facções e mandar um grupo para investigar o que quer que haja lá fora. Assim, nossos protagonistas Tris e Tobias, além de Tori, Christina, Cara, Peter, Caleb e Uriah vão em direção ao desconhecido, e lá descobrem que, literalmente, a vida deles foi uma completa mentira. E pior do que isso, uma mentira baseada em uma crença equivocada. Eles devem lutar contra isso. 

A Chicago futurística conhecida por Tris, parece não ser mais a mesma. Depois de ter descobrido mentiras e revelações bombásticas sobre o que há por trás das facções, ela terá que se juntar ao seu namorado, Tobias, seus amigos e novas ajudas para, mais uma vez, lutar pela sua sobrevivência e a de quem ama. E isso será cada vez mais difícil...

terça-feira, 10 de junho de 2014

A culpa é das estrelas (John Green)


Hazel Grace é uma garota com câncer que sofre diariamente com isso. Sair de casa com um cilindro de oxigênio não é para qualquer um, e qualquer cansaço parece dez vezes pior devido ao câncer ser que está em seus pulmões. 

Hazel insiste em ficar em casa assistindo televisão, mas a mãe dela não queria que a filha ficasse daquele jeito, trancada em casa. A mãe então convence Hazel a frequentar um grupo de apoio para jovens com câncer. Porém, na entediante reunião ela conhece Augustus, um garoto que sofreu de um câncer e perdera uma perna. 

Logo, porém aos poucos, eles acabam se apaixonando e se tornando melhores amigos um do outro. Ambos entendem o outro em seus problemas, e acabam se dando apoio. 

Hazel é fã de um livro chamado "Uma Aflição Imperial", o qual já lera diversas vezes. E de suas diversas cartas ao autor do livro, nenhuma delas fora respondida. Hazel comenta então com Augustus que gostaria muito de conhecer o autor desse livro para saber o que aconteceria depois no andamento do livro que ela tanta lê. Porém, com a ajuda de Augustus, mesmo com sacrifícios Hazel consegue ir até Amsterdam para conhecer o amado autor do livro preferido mas chegando lá encontra um escritor que bebia e ficava bêbado, de forma que acabou sendo "grosseiro" com os dois, falando coisas e coisas e sem dar atenção ao que eles realmente queriam.. E ambos tiveram que ir embora decepcionados sem que o autor falasse para Hazel sobre o final do livro que ela tanto queria saber.. Peter se negara a falar do final do livro!

Mas independente disso a viagem acabou sendo boa, onde os dois se beijaram, e se entregaram um para o outro... 

No entanto, na volta para casa Augustus começa a passar mal com a sua doença, e ambos precisam do apoio um do outro. 

Vale ressaltar que Augustus havia antes prometido para Hazel em terminar o livro, ou seja dar um final ao mesmo para ela. Mas infelizmente isso não foi possível, não dera tempo, pois Augustus estava morrendo...

Neste período Augustus escrevera cartas para o Peter Van pedindo a ele que  fosse em seu enterro para que Peter fosse perdoado do seu mal comportamento. E quando Augustus morre, Peter realmente comparece, ainda bebendo, dizendo coisas, mas que por fim chegou a pedir desculpas para Hazel e chorava pois ele também tinha acabado de perder uma filha de 8 anos com leucemia.

Ao final do livro Hazel consegue ler a última carta que Augustus escrevera para o escritor: antes de morrer, Augustus resolvera escrever mais uma carta para o autor do livro que Hazel gostava tanto de ler. Na carta Augustus elogia Peter Van Houten como escritor e como tinha algumas anotações feitas para Hazel, ele pede ao autor que o ajude a transformar essas anotações em um texto (antecipadamente) fúnebre para ela, já que Hazel tinha feito um texto antecipadamente fúnebre para ele mesmo, antes dele morrer. E de certa forma Augustus também chama a atenção do escritor para que se perceba melhor os sentimentos dos outros, assim como deveria ter percebido os de Hazel que amava aquele autor e o seu livro. E por fim ele declara um amor imenso por Hazel e que ele tinha deixado a cicatriz dele que era de ter se apaixonado por ela!

ABAIXO PEQUENOS TRECHOS CHOCANTES DA CARTA:

“Os verdadeiros heróis, no fim das contas, não são as pessoas que realizam certas coisas; os verdadeiros heróis são as que REPARAM nas coisas”. 

“Havia uma água cancerosa escura pingando do peito dela. Os olhos fechados. Entubada”. 

“Eu simplesmente segurei sua mão e tentei imaginar o mundo sem nós, e por mais ou menos um segundo fui uma pessoa boa o suficiente para torcer que ela morresse e nunca ficasse sabendo que eu também ia morrer”. 

“Depois que a minha tomografia acendeu como uma árvore de natal, eu entrei furtivamente na UTI e vi a Hazel quando ainda estava inconsciente. Eu realmente achei que ela fosse morrer antes que eu pudesse lhe contar que também ia morrer”. 

“Ela é tão linda! Não me canso de olhar para ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la, Peter Van Houten (autor do livro). Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo”...

sábado, 7 de junho de 2014

O Encontro Marcado (Fernando Sabino)


Nesse livro conhecemos a história de Eduardo. Na sua infância o vemos como um menino mimado, que manipula os pais e a empregada, conforma suas vontades. Na escola passou todo o curso em uma forma sem destaque, exceto quando se apaixonara pela menina mais inteligente de sua sala. Por isso, esforçou para ser também o mais inteligente. 

O interesse por sexualidade também aparece ao decorrer do texto e o vemos agir como a maioria dos garotos, com curiosidade e conversas entre amigos. Nessa época também um rapaz que frequentava sua casa e era visto como boa companhia pelos seus pais tenta assediá-lo. Eduardo cede até certo ponto, mas ser homossexual era um sacrilégio na sociedade da época e ele se tortura um tempo por esse acontecimento. É na sua adolescência também que ele vê Jadir, um amigo, suicidar-se pouco depois deles conversarem sobre o assunto. 

Eduardo sempre teve um talento para escrita. Mesmo assim nunca escreveu um romance. Certa vez ficou em segundo lugar em uma maratona intelectual e foi ao Rio de Janeiro buscar o prêmio, mas não voltou. Conseguira dinheiro com a publicação de um texto seu e ficou por lá gastando o dinheiro até que seu pai foi lhe buscar. 

De volta a Minas Gerais, Eduardo começa seu primeiro namoro. Letícia tinha uma mãe muito liberal para a época, e o amor que eles juravam ser eterno teve um fim por impedimento da mãe de Eduardo. Quando voltou, Eduardo também conheceu Toledo, um escritor em fim de carreira que se tornaria seu espelho por alguns anos. Ele também começou a praticar natação e no esporte ele se destacou. Treinava intensamente e batia recordes, e gostava da sensação de só precisar contar com seu próprio esforço. 

No fim do colegial, ele, Mauro e Eugênio combinam de anos mais tarde se reencontrarem no ginásio da escola. Eduardo então começa uma nova etapa de sua vida. Junto a Mauro e Hugo, leva uma vida boêmia e cheia de bebidas e farras. Eles saiam à noite e aprontavam pela cidade, às vezes causando tumulto com discursos sociais, movidos mais pelo frenesi do que pela consciência política, ou enterrando um esqueleto de anatomia na praça da cidade. 

Nesse tempo, Eduardo conhece Antonieta e também se torna um cavalheiro do exercito. Os dois têm mundos distintos. Ela é filha de um ministro carioca e é rica. Ele é apenas um pseudo-escritor mineiro. Mas os dois acabam se casando. Vão morar no Rio de Janeiro e Eduardo começa a trabalhar em um cargo público arrumado pelo sogro. 

Assim tem inicio a segunda parte do livro e da vida do protagonista. O casamento logo de inicio já mostra que não daria certo. Eduardo negligenciava Antonieta, que era a parte mais madura do casal. Eles tinham um grande círculo de amizade entre escritores, jornalistas e pode se dizer bêbados, uma vez que todos cultivavam o hábito de beber sempre. 

Eles nunca tiveram um filho. Quando Antonieta engravidou sofreu um aborto natural, talvez melhor assim já que eles acabam se divorciando. Antes disso, porém, ele a trai com Gerlane e quase faz o mesmo com a vizinha, Neusa. Ele também perde seu pai, motivo que o leva de volta a Minas Gerais e reencontrar se com os velhos amigos. Mauro se tornou médico e Hugo professor. Eduardo nunca cumpriu a maior vontade do pai, formar-se na faculdade. 

Depois que está separado ele começa a manter uma amizade com uma amiga de Antonieta, mas logo as fofocas por ela ser viúva atrapalham a amizade. Ele então volta a Minas novamente. Ali repara em como a cidade mudou, cresceu e se tornou apressada. Vai ao encontro no ginásio, mas ninguém comparece. De volta ao rio, ele encontra com Eugênio que havia se tornado padre, com o amigo encontra certa espécie de paz, revê Neusa que aborta um filho de uma noite só. 

Por fim, ele se demite deixando seu cargo a um recém amigo, Misael, deixa seus livros para o filho de tal que o admira assim como ele admirava Toledo, e ingressa em uma viagem a fim de descobrir a sim mesmo e a felicidade, o que ele buscou em toda a sua trajetória.

A garota que você deixou para trás (Jojo Moyes)


Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra.

Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. 

Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. 

Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

O Recado do Morro (Guimarães Rosa)


A história ilustra o mundo sem lei. No sertão, vigora a regra, e não a lei - a regra da aliança e da vingança. Para o autor, estão em jogo ali novamente os destinos da civilização e da cidadania brasileira.

O recado do morro, os personagens-viajantes se deslocam pelo interior de Minas e por vários campos do saber, ao mesmo tempo em que recontam e decifram antigas estórias, relatos da loucura e mitos anônimos. Nesse conto, uma rede de narradores é estabelecida para passar adiante uma estória que, ao final, ainda é a mesma embora já seja outra. 

O recado do morro, ouvido por Gorgulho, é contado para seu irmão Catraz, que o reconta para o jovem João Zezim, que o narra para Guégue, o guia que se orienta por referências móveis. A partir daí, o recado vira boato e pode ser ouvido no discurso apocalíptico de Nômini Dômini, nos números inscritos pelo coletor na parede da igreja, ou na letra cantada ao violão por Laudelim, até que se torna compreendido por seu destinatário, o guia Pedro Orósio, que sempre ouvira as diversas variações da mesma história sem atinar para o fato de que isso era um aviso de sua própria morte. 

Constituído pelas relações cooperativas e desarmônicas entre saber e não-saber - entre aquele que sabe e aquele que não sabe, entre o que cada personagem sabe e as formas como o sabe e o compartilha -, o conto opera com formas e temas não-excludentes, que podem ser verificados pelos freqüentes processos de tradução capazes de dar sustentação a uma poderosa estrutura fractal e em rede. 

À medida que a comitiva avança sertão adentro, o recado vai sendo passado de boca em boca a personagens excêntricos: bobos, loucos, lunáticos, fanáticos religiosos e um menino, até chegar aos ouvidos do músico Laudelim, que transforma a mensagem numa canção. Traduzido para a música, o recado é então compreendido por Pedro Orósio, a tempo de receber o aviso do Morro sobre as intenções de seus falsos amigos. 

O morro da Garça, em Minas Gerais, assume papel de destaque no conto, ao enviar mensagem de morte à personagem principal do conto, captada por um visionário sertanejo e afinal percebida a tempo por tal personagem.