quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Caramuru (Santa Rita Durão)


Caramuru (Santa Rita Durão) Poema Épico do Descobrimento da Bahia é composto de dez cantos e, de acordo com o gênero, divide-se em cinco partes: proposição, invocação, dedicação, narração e epílogo. 

Canto I: Na primeira estrofe, o poeta introduz a terra a ser cantada e o herói - Filho do Trovão -, propondo narrar seus feitos (proposição). Na estrofe seguinte, pede a Deus que o auxilie na realização do intento (invocação), e da terceira à oitava estrofes, dedica o poema a D. José I, pedindo atenção para o Brasil, principalmente a seus habitantes primitivos, dignos e capazes de serem integrados à civilização cristã. Se isso for feito, prevê Portugal renascendo no Brasil. Da nona estrofe em diante, tem-se a narração. 

A caminho do Brasil, o navio de Diogo Álvares Correia naufraga. Ele e mais sete companheiros conseguem se salvar. Na praia, são acolhidos pelos nativos que ficam temerosos e desconfiados. Os náufragos, por sua vez, também temem aquelas criaturas antropófagas, vermelhas que, sem pudor, andam nuas. Assim que um dos marinheiros morre, retalham-no e comem-lhe, cruas mesmo, todas as partes. Sem saber o futuro, os sete são presos em uma gruta, perto do mar, e, para que engordem, são bem alimentados. 

Notando que os índios nada sabem de armas, Diogo, durante os passeios na praia, retira, do barco destroçado, toda pólvora e munições, guardando-as na gruta. Desde então, como vagaroso enfermo, passa a se utilizar de uma espingarda como cajado. Para entreter os amigos, Fernando, um dos náufragos, ao som da cítara, canta a lenda de uma estátua profética que, no ponto mais alto da ilha açoriana, aponta para o Brasil, indicando a futuros missionários o caminho a seguir. 

Um dia, excetuando-se Diogo, que ainda estava enfermo e fraco, os outros seis são encaminhados para os fossos em brasa. Todavia, quando iam matar os náufragos, a tribo do Tupinambá Gupeva é ferozmente atacada por Sergipe. Após sangrenta luta, muitos morrem ou fogem; outros se rendem ao vencedor que liberta os pobres homens que desaparecem, no meio da mata, sem deixar rastro. 

Canto II: Enquanto a luta se desenvolve, Diogo, magro e enfermo para a gula dos canibais, veste a armadura e, munido de fuzil e pólvora, sai para ajudar os seis companheiros que serão comidos. Na fuga, muitos índios buscam esconderijo na gruta, inclusive Gupeva que, ao se deparar com o lusitano, saindo daquele jeito, cai prostrado, tremendo; os que o seguiam fazem o mesmo; todos acham que o demônio habita o fantasma-armadura. 

Álvares Correia, que já conhecia um pouco a língua dos índios, espera amansá-los com horror e arte. Levantando a viseira, convida Gupeva a tocar a armadura e o capacete. Observa, amigavelmente, que tudo aquilo o protege, afastando o inimigo, desde que não se coma carne humana. Ainda aterrorizado, o chefe indígena segue-o para dentro da gruta, onde Diogo acende a candeia, levando-o a crer que o náufrago tem poder nas mãos. Sob a luz, vê, sem interesse, tudo que o branco retirara da nau. 

Aqui, o poeta, louva a ausência de cobiça dessa gente. Entre os objetos guardados pelos náufragos, Gupeva encanta-se com a beleza da virgem em uma gravura. Tão bela assim não seria a esposa de Tupã? Ou a mãe de Tupã? Nesse momento, encantado pela intuição do bárbaro, Diogo o catequiza, ganhando-lhe, assim a dedicação. Saindo da gruta, o índio, agora manso e diferente, fala a seu povo Tupinambá, ao redor da gruta. Conta-lhes sobre o feito do emboaba, Diogo, e que Tupã o mandara para protegê-los. Para banquetear o amigo, saem para caçar. 

Durante o trajeto, Álvares Correia usa a espingarda, aterrorizando a todos que exclamam e gritam: Tupã Caramuru! Desde esse dia, o herói passa a ser o respeitado Caramuru - Filho do Trovão. Querendo terror e não culto, Diogo afirma-lhes que, como eles, é filho de Tupã e a este, também, se humilha. Mas que como filho do trovão, (dispara outro tiro) queimará aquele que negar obediência ao grande Gupeva. Nas estrofes seguintes, o poeta descreve os costumes da selva. 

Caramuru instala-se na aldeia, onde imensas cabanas abrigam muitas famílias, que vivem em harmonia. Muitos índios querem vê-lo, tocá-lo. Outros, em sinal de hospitalidade, despem-no e colocam-no sobre a rede, deixando-o tranquilo. 

Paraguaçu é uma índia, de pele branca e traços finos e suaves. Apesar de não amar Gupeva, está na tribo por ter-lhe sido prometida. Como sabe a língua portuguesa, Diogo quer vê-la. Após o encontro os dois estão apaixonados. 

Canto III: À noite, Gupeva e Diogo conversam sob a tradução feita por Paraguaçu. O lusitano fica pasmo ao saber que, para o chefe da tribo, existe um princípio eterno; há alguém, Tupã, ser possante que rege o mundo; aquele que vence o nada, criando o universo. 

O espírito de Deus, de alguma maneira, comunica-se com essa gente. Gupeva eloqüente fala acerca da concepção dos selvagens sobre o tempo, o Céu, o Inferno. Abordam a lenda da pregação de S. Tomé em terras americanas. Concluindo a conversa, o cacique diz que estão para ser atacados pelos inimigos; Caramuru aconselha-o a ter calma. De repente, chegam os ferozes índios Caetés que, ao primeiro estrondo do mosquete, batem em retirada, correndo, caindo; achando, enfim, que o céu todo lhes cai em cima. 

Canto IV: O temido invasor noturno é o Caeté, Jararaca, que ama Paraguaçu perdidamente. Ao saber que ela esta destinada a Gupeva, declara guerra. Após o ataque estrondoso do Filho do Trovão, Jararaca convoca outras nações indígenas com as quais tinha aliança: Ovecates, Petiguares, Carijós, Agirapirangas, Itatis. Conta-lhes que Gupeva prostrou-se aos pés de um emboaba pelo pouco fogo que acendera, oferecendo-lhe até a própria noiva. 

O cacique alerta-os que se todos agirem assim, correm o risco de serem desterrados e escravizados em sua própria terra, enchendo de emboabas a Bahia. Apela para a coragem dos nativos, dizendo que apesar do raio do Caramuru ser verdadeiro, ele nada teme, porque não vem de Deus. Não há forças fabricadas que a eles destruam. A guerra tem início e Paraguaçu também luta heroicamente e, num momento de perigo, é salva pelo amado lusitano. 

Canto V: Depois da batalha, os amantes discorrem sobre o mal que habita o ser humano e qual a razão de Deus para permiti-lo. Em seguida, em Itaparica, o herói faz com que todos os índios se submetam a ele, destruindo as canoas com as quais Jararaca pretendia liquidá-lo. 

Canto VI: As filhas dos chefes indígenas são oferecidas ao destemido Diogo, para que este os honre com o seu parentesco. Como ama Paraguaçu, aceita o parentesco, mas declina as filhas. Na mata, o herói encontra uma gruta com tamanho e forma de igreja e percebe ali a possibilidade dos nativos aceitarem a Fé Cristã, e se dispõe a doutriná-los. Mais tarde, salva a tripulação de um navio espanhol naufragado e, saudoso da Europa, parte com Paraguaçu em um barco francês. 

Quando a nau ganha o mar, várias índias, interessadas em Álvares Correia, lançam-se nas águas para acompanhá-lo. Moema, a mais bela de todas, consegue chegar perto do navio Agarrada ao leme, brada todo seu amor não correspondido ao esquivo e cruel Caramuru. Implora para que ele dispare sobre ela seu raio. Ao dizer isso, desmaia e é sorvida pela água. As outras, que a acompanhavam, retornam tristes à praia. Nas demais estrofes do canto, a história do descobrimento do Brasil é contada ao comandante do barco francês. 

Canto VII: Na França, o casal é recebido na corte e Paraguaçu é batizada com o nome da rainha Catarina de Médicis, mulher de Henrique II, que lhe serve de madrinha. Diogo lhes descreve tudo o que sabe a respeito da flora e fauna brasileira. 

Canto VIII: Henrique II se predispõe a ajudar Diogo Álvares na tarefa de doutrinamento e assimilação dos índios, oferecendo-lhe tropa e recompensa. Fiel à monarquia portuguesa, o valente lusitano recusa tal proposta. Na viagem de volta ao Brasil, Catarina-Paraguaçu profetiza, prospectivamente, o futuro da nação. Descreve as terras da Bahia, suas povoações, igrejas, engenhos, fortalezas. Fala sobre seus governadores, a luta contra os franceses de Villegaignon, aliados aos Tamoios. Discorre sobre o ataque de Mem de Sá aos franceses no forte da enseada de Niterói e sobre a vitória de Estácio de Sá contra as mesmas forças. 

Canto XIX: Prosseguindo em seu vaticínio, Catarina-Paraguaçu descreve a luta contra os holandeses que termina com a restauração de Pernambuco. Canto X A visão profética de Catarina-Paraguaçu acaba se transformando na da Virgem sobre a criação do universo. Ao chegar, o casal é recebido pela caravela de Carlos V que agradece a Diogo o socorro aos náufragos espanhóis. 

A história de Pereira Coutinho é narrada, enfatizando-se o apoio dos Tupinambás na dominação dos campos da Bahia e no povoamento do Recôncavo baiano. Na cerimônia realizada na Casa da Torre, o casal revestido na realeza da nação espanhola, transfere-a para D. João III, representado na pessoa do primeiro Governador Geral, Tomé de Souza. 

A penúltima estrofe canta a preservação da liberdade do índio e a responsabilidade do reino para com a divulgação da religião cristã entre eles. Na última (epílogo), Diogo e Catarina, por decreto real, recebem as honras da colônia lusitana.

domingo, 20 de novembro de 2016

O diário de Anne Frank (Anne Frank)


O diário de Anne foi um presente para seu 13° aniversário em 12 de Junho de 1942. Anne o nomeou de Kitty e passou a contar tudo o que acontecia a ele. 

Anne e sua família eram judeus e como estavam em meio a uma guerra , recebiam tratamento diferenciado: Tinham que usar uma estrela amarela em suas roupas, fazer compras em lojas de judeus , só frequentar lugares possuídos por judeus, não podiam andar de bonde ou outro veículo a não ser de bicicleta e deviam estudar em escolas especiais, para judeus. 

Algum tempo depois, veio uma notícia que mudara totalmente a vida de Anne e sua família: Sua irmã Margot fora convocada para a guerra. Com isso tiveram que partir em direção ao desconhecido: Tiveram que se mudar para um esconderijo no anexo secreto da empresa onde o pai de Anne trabalhava. Junto com a família Frank, fora também a família Van Daan (Peter, Sr. Van Daan,e Petronella).

Quem ajudava aos “Foragidos” eram Bep, Miep, Kugler, Kleiman e o Sr. Voskuijl, que forneciam comida e outros materiais necessários. 

Depois de muito pensar, decidiram que seria adicionado um oitavo hóspede ao anexo e foi decidido que esse hóspede seria o dentista Albert Dussel, ele se instalara no quarto de Anne. 

Às vezes Anne se sente muito triste e solitária no anexo, ela discute muito com a mãe e tem uma convivência conturbada com os moradores. Certo dia quando foram ao sótão descobriram que havia ratos lá e com isso deixaram Mouschi (Gata de Peter) para devorá-los. 

O Sr. Kleiman vivia sofrendo hemorragias no estômago devido a um problema. Muitas são as disputas e discussões no anexo: Os Frank com os Van Daan, Anne com sua mãe, Van Daan com Dussel, etc.

Anne completara 14 anos e recebera um poema de seu pai, e doces e livros de outros hóspedes. O Sr. Voskuijl estava muito doente e fora diagnosticado com Câncer. O radinho que eles ouviam teve que ser entregue na recolhida e Bep conseguira outro inferior no mercado negro.

O norte de Amsterdã fora destruído gerando mais de 200 mortos e muitos feridos. Depois de tanta espera, finalmente veio uma notícia boa: Mussolini renunciara ao poder na Itália.

Anne teve em um sonho a imagem de sua amiga Hanelli sofrendo nos campos de concentração, sentiu pena, culpa e pediu a Deus para protegê-la. Ela vê em Hanne a figura de todos os outros judeus, que sofrem apenas por serem judeus. 

Durante dezembro chega o dia de São Nicolau e os “Foragidos” ganham um bolo com a frase “Paz em 1944” de Mep, Bep, Kleiman e Kugler. 

O anexo fôra roubado e levaram 40 florins e açúcar. A convivência com a família de Van Daan está cada vez mais difícil, pois eles escondem comida, não dividem e consomem mais do que os outros.

Anne teve uma mudança em sua vida, pois passou a compreender e ter mais sabedoria. Anne começa a buscar a companhia de Peter e começa a compreendê-lo. Ela sobe diariamente ao sótão de Peter e começa a desenvolver um sentimento maior que a amizade, um tipo de amor. 

No dia 11 de abril de 1944 o anexo enfrentou uma nova aventura: Peter, Dussel, Sr. Van Daan e Pim (Apelido de Otto) descem para verificar alguma coisa justamente na hora que um casal passa e ilumina tudo com uma lanterna. Depois disso sobem rapidamente e percebem que alguém tenta arrombar a porta. Felizmente essa pessoa vai-se embora, porém os “Foragidos” permanecem aflitos até de manhã quando o Sr. Kleiman volta. Porém quando este chega e fica a parte de tudo, ele os repreende e os proíbe de descer à noite. 

Anne conta tudo sobre ela e Peter a seu pai (Pim), que acha melhor eles se afastarem, pois essa historia poderia virar romance. No entanto Anne continua a visitar Peter e ainda escreve uma carta desabafando tudo a seu pai, que fica muito triste porque nunca recebera uma carta com tanta injustiça e dureza como aquela. Depois Anne percebe que errou sendo dura demais com seu amado Pim e pede desculpas a ele. 

O país se tornou ainda mais anti-semita, mesmo aqueles que eram bons. Isso causa medo e preocupação aos “Foragidos”. 

Anne em maio de 1944 sofrera uma recaída de mau-humor, tristeza, e falta de esperança devido a vários motivos: O fornecedor de alimentos havia sido preso, o anti-semitismo extremo, má alimentação, estresse, falta de liberdade, medo, solidão, etc. 

Anne volta ao normal e começa a acreditar que o fim da guerra está próximo, pois um general da nobreza alemã tentara assassinar Hitler. 

O diário de Anne terminou em 1 de agosto de 1944. Os oficiais da Gestapo descobrem o esconderijo da família, em 4 de agosto de 1944, prendem os refugiados e os conduzem para diferentes campos de concentração. Anne, que já estava bastante debilitada, por conta da péssima alimentação, acaba sofrendo mais ainda. 

Anne morrera em março de 1945 em Bergen-Belsen. Alguns historiadores recentemente conseguiram provas de que a jovem teria morrido antes da data que se pensava, por conta de tifo e não na câmara de gás, como a irmã. Da sua família, o único sobrevivente foi o pai, Otto, que lutou para publicar o Diário de Anne Frank. Depois da sua morte, Anne torna-se famosa no mundo inteiro por causa do diário que escreveu quando ainda estava escondida. 

Sobre o livro: 

Conhecido em todo o mundo através do teatro, adaptações para televisão e traduções, “O Diário de Anne Frank”, incrível documento humano, continua a chocar e a emocionar. Ele assinala passagens de uma vida insólita, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a nobreza fora do comum de um espírito amadurecido no sofrimento. 

A ideia inicial de Anne, mais do que desabafar com palavras, era escrever um diário, para que, posteriormente, fosse publicado, logo que a guerra acabasse. A idéia de escrever um diário nasce após Anne ouvir uma transmissão radiofônica que incentivava as pessoas a documentar os eventos ligados à guerra, pois este material teria, futuramente, um alto significado. Ela inscreve em seus escritos tudo o que se passa no cotidiano de sua família inclusive sua notória predileção pelo pai, que considerava amoroso e nobre, ao contrário da mãe, com quem a menina estava sempre em direto embate.